sábado, 23 de abril de 2011

Livro: Eu sou o mensageiro

Que livro bom! Cheio de humor e amor.
O protagonista é um taxista de 19 anos que tem apenas três amigos, a constante sensação de fracasso e o ódio da mãe.
O encontro com o inesperado muda completamente sua vida e o desafia a fazer algo bom por pessoas desconhecidas e também por seus amigos. E ele se encaixa perfeitamente nesse papel. Algumas das pessoas a quem teve de ajudar são verdadeiros dons e ele fica grato por conhecê-las.
Descobre como é gratificante fazer algo bom por alguém e essa descoberta dá sentido à sua existência. Essa experiência faz dele, e com certeza também do leitor, um ser humano melhor.

Zusak, Markus. Eu sou o mensageiro. RJ: Intrínseca, 2007.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Igino Giordani

Enamorado de Deus e da humanidade

Hoje celebramos o aniversário de morte de Igino Giordani, que recebeu de Chiara Lubich o seguinte depoimento: “Giordani sempre foi para nós um símbolo da humanidade, alguém que mantinha a nossa alma aberta para todo o mundo, que impedia qualquer exclusão, qualquer limitação”. Escrevi esse artigo há alguns anos, para a Revista Shalom Maná.
Igino Giordani nasceu em Tívoli, nos arredores de Roma, no dia 24 de setembro de 1894. Primeiro dos seis filhos de Mariano e Úrsula Antonelli. A família não dispunha de muitos recursos materiais mas era riquíssima em espiritualidade.
Agraciado com uma mente brilhante, aprendeu francês, inglês, português, espanhol, romeno, grego e latim. Depois de concluir os estudos elementares no Seminário de Tívoli, graduou-se em Letras e Filosofia pela Universidade de Roma.
Em 1920 casou-se com Mya Salvati. Geraram quatro filhos.

Igino e os homens
Aos 21 anos foi convocado para a guerra. Seu coração apaixonado pela humanidade confessou: “Jamais quis apontar o cano do meu fuzil para as trincheiras adversárias, por medo de matar um filho de Deus”.
Depois da guerra, numa Itália atormentada pela violência fascista, sentiu-se impulsionado a engajar-se na política. Colaborou com o Partido Popular, do qual se originou posteriormente a Democracia Cristã, e como escritor e jornalista, não obstante as punições a que eram submetidos os opositores do regime – a prisão e a morte –, combateu pela liberdade e contra a ditadura que avançava.
Em 1946 foi eleito deputado pela Democracia Cristã. Trabalhou sobretudo pela paz: apresentou proposta de lei permitindo a objeção de consciência contra o serviço militar; fez apelos para um desarmamento geral; fomentou a colaboração entre todos os partidos em favor da paz. “Não se constrói a paz preparando a guerra, mas formando as consciências e atuando a justiça social”, dizia.
Sua postura conquistou-lhe o adjetivo de político ingênuo. Acabou sendo abandonado inclusive por alguns setores católicos. Não foi reeleito em 1953, mas continuou, através de livros e artigos, a desenvolver uma importante obra de educação para a política. Sua obra literária é vastíssima, versando sobre assuntos diversificados. Dos seus livros podemos destacar: Le due Città, de inspiração agostiniana; Laicato e Sacerdozio, verdadeiro tratado de eclesiologia; La rivoluzione cristiana, expressão madura de seu pensamento político e social; Diario di fuoco, traduzido para o português pela Editora Cidade Nova e Memorie di un cristiano ingenuo, sua autobiografia publicada depois de sua morte.
Seu empenho fundamental era afirmar a validade do cristianismo na solução dos problemas do homem e a necessidade de uma ação dos homens de fé, a começar pelos intelectuais, como Igreja “militante”.

Igino e Deus
Ele, que desde a infância teve uma educação pautada no Evangelho, iniciou uma busca mais profunda de união com Deus em meio às ocupações terrenas no hospital, enquanto sofria as dores provocadas pelos ferimentos de guerra, em 1916, quando recebeu de uma freira os escritos de Contardo Ferrini (hoje canonizado). A descoberta de que um leigo também pode almejar a santidade não o deixou mais em paz.
Em 1948, recebeu no seu gabinete de deputado a visita de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, e foi incendiado pelo seu carisma. Ele assim define esse encontro: “De algum modo, eu dominava todos os setores da cultura religiosa: a apologética, a ascética, a mística, a dogmática, a moral... mas as possuía apenas culturalmente, não as vivia interiormente... nas primeiras palavras de Chiara Lubich percebi algo novo: o timbre de voz revelava uma convicção profunda que nascia de um sentimento sobrenatural. Era uma voz pela qual, sem me dar conta, sempre havia esperado. Ela colocava a santidade ao alcance de todos, derrubava os portões que separavam o mundo leigo da vida mística. Aproximava Deus: fazia com que o sentíssemos pai, irmão, amigo, tornava-o presente para a humanidade... Algo aconteceu dentro de mim: a idéia de Deus deu lugar ao amor de Deus, à imagem ideal do Deus vivo”.
Tornou-se o primeiro focolarino casado e o inspirador dos setores do Movimento dos Focolares dedicados à renovação das famílias, à preocupação com os aspectos concretos da vida social, ao diálogo ecumênico e à busca da unidade de toda a família humana.
Igino Giordani concluiu sua vida terrena no dia 18 de abril de 1980, deixando um rastro de verdadeiro testemunho de vida.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Apresentada em Roma biografia de Chiara Lubich

ROMA, quinta-feira, 13 de abril de 2011 (ZENIT.org) - A biografia oficial de Chiara Lubich (1920-2008), intitulada ‘Levar o mundo entre os braços’ (tradução livre, N. do T.), foi apresentada nessa quarta-feira no Palácio da Chancelaria, em Roma, com vários testemunhos e a certeza de que a vida da fundadora do Focolares não se pode encerrar numa biografia.
Intervieram na apresentação Andrea Riccardi, fundador da comunidade de Sant’Egídio; o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Dom João Braz de Aviz. Falaram ainda Eli Folonari, uma das primeiras companheiras de Chiara e o jornalista e autor do livro Armando Torno. 
Para Andrea Riccardi, “Chiara é uma figura unitiva, tem um papel na história contemporânea da Igreja porque é uma figura cristã mas também humanista, com um pensamento próprio. E teve ainda uma função política sem ter feito política, uma função para os não cristãos e os não crentes”.
“Neste tempo em que estamos assustados, tememos as invasões dos que são diferentes, sedentos de segurança e de fronteiras, Chiara volta a nos dizer que não tem medo de um mundo grande, e que a chave para não ter medo é amar. Ela nos ensina que o amor é a verdadeira defesa”, e que “o amor gera o amor”.
Já Dom João Braz de Aviz afirmou que ouviu falar de Chiara ainda quando ele pertencia a um pequeno grupo de seminaristas adolescentes, nos anos 60. Ela ensinava “que se chega a Deus através da prática do amor ao próximo. Não ensinava uma doutrina, mas sua experiência de vida”.
“Nessa mensagem havia duas certezas vitais: Deus me ama imensamente e sempre, não olha minhas debilidades e meus pecados. E a segunda: posso experimentar o amor de Deus construindo-o com o próximo que passou ao meu lado, não interessa quem seja, católico, ateu ou outro”.
Havia então uma mensagem nova, de “superar as barreiras na relação humana”, porque comunicar e receber a comunicação gera uma verdadeira felicidade, disse o prefeito do organismo vaticano para a Vida Consagrada.
O jornalista Armando Torno, autor do livro, reconheceu que “este volume foi escrito por alguém que nunca conheceu Chiara, na realidade não sou o autor, mas recolhi muitas histórias e testemunhos”. Segundo ele, não foi fácil colocar tudo em um livro.
Para o jornalista do ‘Corriere della Sera’, “Chiara desbloqueia o amor, põe em crise as hipóteses econômicas, os discursos ecumênicos, os políticos; ela dá respostas aos problemas de hoje, àqueles que a sociedade não consegue resolver”.
O autor assinala que se trata de uma revolução do amor “de uma mística vivida com grande normalidade” e que cria uma organização com grande simplicidade, que não tem um plano preestabelecido a não ser o Evangelho. Ela “é uma figura deslumbrante”.
http://www.zenit.org/article-27740?l=portuguese

Livro: A menina que roubava livros

O livro narra a história de Liesel Meminger, uma garota que desde cedo é visitada pela desventura. Perde o irmão numa viagem de trem e em seguida a mãe. É adotada por um casal um tanto peculiar. A mãe é rabugenta e grande usuária de palavrões; o pai é atencioso, generoso e tocador de acordeão. Torna-se grande amigo e professor de Liesel.
De uma forma inteligente critica a insensatez da guerra. E, sobretudo, aborda temas importantes, como a amizade, a generosidade, a compaixão.
Escrito com extrema maestria, tem como narrador em primeira pessoa a morte, que diz verdades incontestáveis: “... o ser humano é contraditório. Um punhado de bem, um punhado de mal. É só misturar com água.”
Diz mais: “... constantemente superestimo e subestimo a raça humana... raras vezes simplesmente a estimo”. O ser humano é capaz da beleza e da brutalidade.

Zusak, Markus. A menina que roubava livros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Livro: O menino do pijama listrado

Depois de ter assistido ao filme homônimo algumas vezes e de ter lido “O garoto no convés” e “Palácio de Inverno” (ambos maravilhosos!), resolvi ler “O menino do pijama listrado”.
Esse livro é fabuloso! Aborda a loucura da guerra; como é possível que um povo odeie outro inventando para isso justificativas absurdas? Um menino alemão torna-se amigo de um menino judeu e, por vezes, também se pega com comportamentos absurdos, como a traição e a mentira. Mas ao passo em que vai aprofundando essa amizade vai, de certa forma, compreendendo que não é verdade o que falam por aí.

Boyne, John. O menino do pijama listrado. SP: Cia das Letras, 2011.

Palavra de Vida: “Não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres” (Mc 14,36)

Jesus estava no Monte das Oliveiras, numa propriedade chamada Getsé-mani. A hora tão esperada tinha che­gado. Era o momento crucial de toda a Sua existência. Ajoelha-se no chão e supli­ca a Deus – chamando-Lhe “Pai”, com ternura familiar – que “afaste de Si aquele cálice”. Uma expressão que se refere à Sua Paixão e Morte. Reza para que passe aquela hora... Mas, no fim, dispõe-se total­mente a fazer a vontade do Pai:
“Não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres”.
Jesus sabe que a sua Paixão não é um acontecimento ocasional, nem é sim­plesmente uma decisão dos homens. É um plano de Deus. Ele seria condenado e rejeitado pelos homens, mas o “cálice” vem das mãos de Deus.
Jesus ensina-nos que o Pai tem um pro­jecto de amor sobre cada um de nós. Ele ama-nos com um amor pessoal e, se acreditarmos nesse amor e se lhe cor­respondermos com o nosso amor – eis as condições –, Ele faz com que tudo se oriente para o bem. Para Jesus, nada aconteceu por acaso, e muito menos a Paixão e a Morte.
E depois houve a Ressurreição, cuja festa celebramos solenemente neste mês.
O exemplo de Jesus, Ressuscitado, deve ser uma luz para a nossa vida. Tudo aquilo que vier, aquilo que acontecer, aquilo que nos rodear e também tudo o que nos fizer sofrer, deve ser visto como a vonta­de de Deus que nos ama ou como uma permissão d’Ele, que continua a amar-nos. Então tudo terá sentido na vida, tudo será extremamente útil, até aquilo que, naquele momento, nos possa parecer incompreensível e absurdo. Até aquilo que – como aconteceu com Jesus – nos possa fazer cair numa angústia mortal. Basta que, juntamente com Ele, saibamos repetir, com um acto de total confiança no amor do Pai:
“Não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres”.
A Sua vontade é que vivamos, que Lhe agradeçamos com alegria pelas dádivas da vida. Mas, às vezes, não coincide com aquilo que nós gostaríamos: um objecti­vo diante do qual nos devemos resignar – principalmente quando nos deparamos com o sofrimento –, ou uma sucessão de actos monótonos ao longo da nossa existência.
A vontade de Deus é a Sua voz, que continuamente nos fala e nos convida. É o modo com que Ele nos exprime o Seu amor, para nos dar a Sua plenitude de Vida.
Poderíamos representá-la com a ima­gem do Sol cujos raios são como a Sua vontade sobre cada um de nós. Cada um segue um raio de Sol, distinto do raio de Sol de quem está ao nosso lado, embora ambos sejam raios de Sol, isto é, a von­tade de Deus. Todos, portanto, fazemos uma única vontade, a vontade de Deus, mas, para cada um, ela é diferente. Além disso, os raios, quanto mais se aproxi­mam do Sol, mais se aproximam entre eles. Também nós, quanto mais nos aproximamos de Deus – com o cumpri­mento cada vez mais perfeito da divina vontade –, mais nos aproximamos entre nós... até todos sermos um.
Vivendo assim, tudo na nossa vida pode mudar. Em vez de procurarmos as pesso­as que nos agradam e amarmos só essas, podemos aproximar-nos de todos aqueles que a vontade de Deus coloca ao nosso lado. Em vez de preferirmos as coisas que nos agradam mais, podemos ocupar-nos daquelas que a vontade de Deus nos sugere e, portanto, dar-lhes a preferência. O estarmos totalmente projectados na vontade divina desse momento (“o que Tu queres”), levar-nos-á, como consequên­cia, ao desapego de todas as coisas e do nosso eu (“não se faça o que Eu quero”). Desapego que não é procurado proposi­tadamente – porque se procura a Deus apenas –, mas que se acaba por encon­trar. Então, a alegria será completa. Basta mergulharmos no momento que passa e realizar nesse momento a vontade de Deus, repetindo:
“Não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres”.
O momento passado já não existe. O momento futuro não está ainda nas nos­sas mãos. É a situação, por exemplo, de um passageiro num comboio: para chegar ao seu destino, não tem que andar para a frente e para trás, dentro da carruagem, mas permanecer sentado no seu lugar. Devemos, assim, estar parados no presen­te. O comboio do tempo desloca-se por si. Só podemos amar a Deus no momento presente que nos é dado, pronunciando o nosso “sim” fortíssimo, incondicional, activíssimo à Sua vontade.
Amemos, portanto, aquele sorriso que oferecemos, aquele trabalho que faze­mos, aquele carro que é necessário guiar, aquela refeição que vamos preparar, aquela actividade para organizar, aquela pessoa que sofre ao nosso lado.
Nem a provação, nem o sofrimento nos devem assustar se, com Jesus, soubermos reconhecer neles a vontade de Deus, ou seja, o Seu amor por cada um de nós. Pelo contrário, poderemos rezar assim:
“Senhor, faz com que eu não tenha receio de nada, porque tudo aquilo que acontecer será unicamente da Tua von­tade! Senhor, faz com que não deseje nada, porque nada é mais desejável do que a Tua vontade.
O que é importante na vida? O importan­te é a Tua vontade.
Faz com que eu não desanime com nada, porque em tudo está a Tua von­tade. Faz com que não me exalte com nada, porque tudo é da Tua vontade”.

Chiara Lubich

http://focolares.org.pt/palavra/texto/645-abril-2011