segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O relacionamento dos pais com a escola

A segmentação da pessoa humana e da sociedade levou a uma cisão entre as pessoas e as instituições. Assim, aquilo que antes era complementação e reciprocidade foi tomando distância. A escola, que antes era responsável basicamente pela transmissão dos conhecimentos sistematizados ao longo da história humana foi tomando o papel que cabe à família: transmitir a ética, os valores, cuidar da saúde, prover alimentação...
A educação é responsabilidade, em primeiro lugar, da família. É evidente que a escola, ao transmitir os conhecimentos sistematizados, o faz segundo o conjunto de valores que elegeu para si. Isso faz com que sua filosofia e ética sejam transmitidas também. Não é verdade que se aprende mais pelo exemplo do que pelas palavras?
Portanto, não é qualquer escola que serve para qualquer criança, adolescente ou jovem. Hoje, devido ao imenso corre-corre em busca da sobrevivência, muitos pais escolhem a escola onde matricular seus filhos de acordo com o quesito tempo: aquela que é mais próxima de casa ou da empresa... Mas essa escolha deve ser levada muito a sério e há mais aspectos a observar que o tempo que se gasta para lá chegar.
Há pais que são católicos e matriculam os filhos numa escola protestante. Não se trata de uma “briga religiosa”, mas de doutrinas e visões de mundo que são diferentes. Outros que não são católicos, matriculam seus filhos em escolas confessionais e não querem participar do que a escola oferece. Outros que, sendo profissionais da educação, dizem que seguem uma linha de trabalho mas seus filhos estudam em escolas que seguem outra linha. Que contradição!
Pode parecer banal, mas o choque de conceitos é sério. Imagine uma criança que em casa é educada para a cultura do perdão e na escola as contendas são resolvidas segundo o revide (bateu, levou). Como fica a cabeça dela? Que valor vai consolidar?
É por isso que, antes de matricular os filhos, os pais devem visitar a escola, conversar com diretores, coordenadores, professores, funcionários, alunos; ver um pouco da atividade destes em sala e no recreio a fim de identificarem a concepção teórica de educação e como isso se dá na prática. Só então, certos de que compartilham os mesmos valores, deverão efetuar a matrícula dos filhos nessa instituição.
Depois da matrícula não acaba o papel dos pais. Eles devem acompanhar a vida escolar dos filhos, interessando-se para saber o que aprenderam, o que aconteceu de novidade a cada dia, comparecendo às reuniões e às festas, ajudando nas tarefas de casa, conversando com os professores quando houver qualquer dúvida ou necessidade, enfim, sentindo-se co-responsáveis pela vida estudantil de seus filhos.
Nos últimos anos tem havido no Brasil campanhas no sentido de levar a família para dentro da escola. Isso é fundamental! Como eu disse antes, a educação é responsabilidade, em primeiro lugar, dos pais. É curioso como alguns pais entregam o filho à professora como se lhe dessem o papel também da maternidade, permitindo, inclusive, bater nele como forma de corrigi-lo. Ainda acontece isso! E, porque os pais não levam os filhos para o oculista, dentista ou pediatra, a escola tem desempenhado este papel que não lhe compete: tira a criança da sala de aula e a leva para o posto de saúde para que receba esses cuidados.
É preciso que cada pai e cada mãe tenha claro o seu papel e o papel da escola. Esta não existe para substituir, mas para ajudar, acrescentar, enriquecer o da família. Assim, de braços dados, como parceiros, colaboradores e não opositores ou substitutos, a educação se dará da forma como deve ser. Quem ganhará com isso será a sociedade inteira, esta e a que virá.


Artigo publicado na Shalom Maná n.119

Educar para a doação

Existe ainda, infelizmente, em nossa sociedade a intenção de deixar a educação dos filhos a cargo da escola, porque os pais estão sempre ocupados, demasiado preocupados em ganhar muito dinheiro para dar-lhes uma vida cômoda. No entanto, a família é a instituição que deve velar para que a educação aconteça de fato, não apenas através de aquisição de informações, mas da formação de hábitos e valores. E isso acontece através do contato e da presença real dos pais, que conversam com os filhos sobre o que assistem na televisão – e tomam cuidado com o que vêem na televisão –, que dialogam sobre a mensagem das histórias lidas, interessam-se pelo que viveram e aprenderam durante o dia etc.
A educação requer uma dose incalculável de amor, mas um amor consciente e maduro, que proporciona muito afeto e cuidado, mas que é também capaz de impor limites, regras e de dizer não. Um amor que compreenda o filho não como uma extensão dos pais, mas uma pessoa única e irrepetível, que deve ser amada pelo que é e não pelo que faz ou possa vir a fazer, e que tem uma vida que não pode ser vivida pelos outros. Os pais devem, diariamente, exercitar-se a não querer possuir o filho, mas a criá-lo.
O principal objetivo da educação é ajudar o filho a ser um dom para os outros, esta é a meta a ser alcançada, pois são capazes de doar-se aqueles que têm uma personalidade íntegra, independente, criativa, original, capaz de orientar, sustentar e planejar.

A “supermãe” e o “superpai”
A insegurança da mãe e do pai, bem como a redução da prole – que hoje, em geral, não passa do terceiro filho, quando muito –, fazem com que desponte o problema da “superproteção”. Pensando que ajudam, os pais satisfazem o menor desejo do filho e o substituem em atividades que lhe caberia, como guardar os brinquedos depois de uma “jornada” de brincadeira, arrumar a própria cama ao levantar-se, pegar um copo de água enquanto assiste à televisão etc, às vezes chegam a resolver as atividades que o filho traz do colégio.
“Perseguem” a criança por medo de que algo de ruim aconteça: “Não suba a escada”; “Não ande descalço”; “Não pegue na areia”; “Não coloque a mão na boca”... Esquecem-se de que as dificuldades e os perigos fazem parte do dia-a-dia, e farão até o último dia da existência humana. Superprotegendo, tornam o filho incapaz de enfrentar essas dificuldades e as que virão; o filho acostumado à superproteção, ou fugirá dos problemas, sem resolvê-los, ou chamará sempre alguém para ajudar, porque não desenvolveu capacidades como originalidade, criatividade e iniciativa. Terá dificuldades em orientar-se sozinho, fazer escolhas, porque foi acostumado a obedecer passivamente aos comandos maternos ou paternos: “Cuidado para não se queimar; vista o casaco para não se resfriar; cuidado com as suas amizades...”.
Prejuízo ainda maior, conseqüência da superproteção, é a atrofia da capacidade de viver em doação mútua. Porque, se o pai, ou a mãe, concede, faz e ordena tudo, não há espaço para a generosidade, o altruísmo, a autonomia. Infelizmente, o filho exigirá cada vez mais receber, esperará sempre mais passivamente e não experimentará a alegria que existe no dar, no servir, no sair de si. Egidio Santanchè, pediatra e pedagogo italiano, diz a esse respeito que os pais “devem cortar efetivamente o cordão umbilical logo nos primeiros anos de vida do filho, alegrando-se por ele viver em um espaço independente, separando-se e até se opondo a eles... Os perigos serão muito maiores se o filho estiver despreparado e ‘pela metade’...devido às contínuas interferências, aos conselhos enfadonhos, além daquelas acusações de ‘olhe tudo o que, com sacrifício, faço unicamente para você’” (1).

Verdade ou mentira?
Segundo a Unesco, a família é a “primeira comunidade natural de acolhida e desenvolvimento do homem ... é realmente a família quem preserva e transmite os valores” (2), portanto, se os pais querem evitar que seu filho seja engolido pelos contravalores difundidos nesta sociedade secularizada, devem viver numa atmosfera de fidelidade aos valores em que acreditam e educar na verdade e para a verdade. Nunca se deve dizer inverdades ao filho! “Se às vezes não for possível transmitir conceitos difíceis, as coisas devem sempre ser ditas com um fundo de verdade, a ser completado no decorrer dos anos” (3). Mentir, jamais.
No século passado, difundiu-se um método pedagógico de obter obediência e submissão, que perpetua até hoje: o medo, a custas de mentira. Por exemplo, “Se você não tomar a sopa, o lobo mau vem e come você”; “Se você mentir, seu nariz vai crescer”; “Se você apontar, vai crescer uma verruga no seu dedo” e assim por diante.
O relacionamento entre pais e filho deve ser embasado na verdade. Usando a autoridade que lhe é própria, envolvida de amor, compreensão e respeito, os pais devem ensinar o que desejam e é preciso que ensinem aos filhos, mas não sob mentiras. É o hábito da verdade, de ambos os lados, que dá ao filho a coragem de, por exemplo, levantar-se na sala de aula e reconhecer publicamente um erro que cometeu, bem como de, em casa, dizer abertamente a verdade – por mais dolorosa que seja –, assumindo a responsabilidade pelos seus atos, em vez de esconder-se em cômodas mentiras.
Uma questão importante a ser lembrada, é que não se deve tentar transmitir algo que não parta de uma verdadeira convicção e de uma experiência de vida comprovada, pois o filho “capta” muito mais o exemplo que a palavra verbalizada ... “nenhum filho acredita no que lhe é dito se quem educa não vive de maneira evidente e contínua aquilo que propõe. No fundo, os filhos imitam as atitudes, seguem mais o exemplo que os sermões e os bons conselhos” (4).

O numinoso
Outro aspecto que não pode ser esquecido na educação dos filhos é a visão sobrenatural. É importante saber dar ao filho o mundo “que não se vê”, o único verdadeiro.
A sensibilidade ao divino é bastante forte na infância, mas muitas vezes essa graça se perde por falta de “tato” da parte dos pais, que não valorizam nem “viajam” nessa luminosa aventura com seu pequenino.
É necessário que se crie uma atmosfera de alegria na vivência da fé, e essa vivência não se dá falando de Jesus a toda hora, mas permitindo que sua mentalidade, isto é, o Evangelho, esteja subjacente a cada ação familiar. É muito fácil apresentar aquele Jesus que se encontra estampado nos “santinhos”, mas esse não é o chamado da família. O Jesus verdadeiro “se constrói momento a momento; Ele penetra cada atividade, cada palavra e requer uma preciosa (do ponto de vista psicológico) renúncia ao nosso comodismo. Por isso, não deve ser instrumentalizado com o fim de obter facilmente a obediência ou para justificar a leitura do jornal ... Se entre os pais existe uma atmosfera perceptível de amor recíproco, pode-se dizer que Jesus vive efetivamente em meio a eles” (5).

Gostaria, portanto, de finalizar com as palavras de Santanchè, que lucidamente explica o sentido da verdadeira educação: “Deixar de viver apenas para si mesmo e viver em função de alguém. O amor por outras pessoas é o verdadeiro fator de crescimento”.

Notas bibliográficas:

(1)Santanchè, Egidio. O mundo desconhecido das nossas crianças. São Paulo: Cidade Nova, 1994.

(2)Baggio, Antonio Maria. A família num mundo em transformação. Cidade Nova, n.7/1992, São Paulo: Cidade Nova.

Philippe, Mari-Dominique. No coração do amor. São Paulo: Paulinas, 1997.

(3) Santanchè, Egidio. O mundo desconhecido das nossas crianças. São Paulo: Cidade Nova, 1994.

(4)Ibidem.

(5)Ibidem.


Artigo publicado na Shalom Maná n.91

A televisão e a educação

A educação é um processo contínuo na vida do ser humano. Esse processo tem como objetivo “guiar o homem no desenvolvimento dinâmico, no curso do qual se constituirá como pessoa humana – dotada das armas do conhecimento, do poder de ajudar e das virtudes morais – transmitindo-lhe ao mesmo tempo o patrimônio espiritual da nação e da civilização às quais pertence e conservando a herança secular das gerações” (1).
Não é, pois, difícil intuir a influência que a televisão exerce nesse processo, dado que ela não é um eletrodoméstico a mais em nossa casa. “A televisão é um eletrodoméstico que fala, que transmite lições, que propõe casos para imitar, que difunde modos de cultura. Exerce influência por osmose, quase imperceptível a quem se lhe entrega passivamente” (2). E é imenso o tempo que se gasta diante da “telinha”; pesquisas revelam que crianças entre seis e 11 anos passam cerca de 25 a 30 horas semanais diante da TV.
Isso é preocupante porque, além do excessivo tempo de exposição aos programas de TV, a assimilação, o aprendizado por esse veículo se dá bem mais rapidamente e em maior quantidade de informações, porque se utiliza as capacidades audiovisuais em conjunto. Aprende-se sem grandes esforços. O subconsciente encarrega-se de assimilar a maior parte do conteúdo transmitido. Assim, o aprendizado se dá de maneira acelerada e mais prazerosa. O problema é o que se aprende, visto que a televisão contribui tanto para a educação quanto para a “deseducação” do ser humano.

As influências positivas da TV
A televisão, “se ‘ingerida em pequenas doses’ poderia ser uma ajuda preciosa, pois ela seria dominada, limitada, discutida e elaborada” (3). O uso da TV, portanto, se acompanhado pelos pais, que selecionem os programas e discutam seus conteúdos com os filhos, pode apresentar efeitos positivos.
Um desses efeitos é a veiculação da informação. É fascinante obter notícias e documentários de todas as partes do mundo através do som e da imagem! Informações acerca dos mais diversos assuntos: música, esportes, entretenimento, economia, política, sociedade...
Outro efeito é tornar o mundo “pequeno”, os seres humanos mais próximos. Diante das cenas transmitidas das mais diversas partes do mundo, tem-se a impressão de que, de fato, nosso planeta é uma grande “tribo” colorida que gira nesse imenso universo; somos, portanto, todos irmãos. A beleza do outro não me ameaça, antes enriquece-me; sua alegria é minha, bem como sua dor me faz sofrer.
A televisão também proporciona lazer. É possível – infelizmente nos canais abertos não é tão possível assim – escolher um bom programa e divertir-se sem sair de casa, a família toda reunida, com a pipoca e o refrigerante à mão...
A TV, portanto, se bem gerida, proporciona cultura, engrandecimento da pessoa humana.

As influências negativas da TV
Quando mal empregada, a televisão pode se tornar nociva. Pode, por exemplo, comprometer aspectos indispensáveis ao saudável desenvolvimento infantil, como a curiosidade, a iniciativa e a atividade física. “A criança que assiste demais à televisão – às vezes até tarde da noite, sem critério algum – corre o risco de ter a curiosidade e a sede de conhecer reduzidas ao desfrutamento passivo de estereótipos distantes do mundo infantil” (3). No tocante à atividade física, em linhas gerais, movimentar o corpo é indispensável para a aquisição de todos os pré-requisitos para a aprendizagem escolar, como a lateralidade e a estruturação espaço-temporal. No entanto, hoje é grande a preocupação com o alto índice de crianças e adolescentes obesos, que não fazem qualquer atividade física, não praticam esportes, antes “ocupam” o tempo diante da TV, comendo balas, doces, sanduíches e refrigerantes.
O excessivo e sem critérios uso da televisão pode causar também defasagem no rendimento escolar, posto que, habituados que se tornam às respostas prontas, à lei do menor esforço, desinteressam-se pelos jogos e atividades escolares, que requerem dinâmica, criatividade e esforço. Se a escola for tradicional também é problema, pois a tecnologia e as cores da TV ofuscam a rotina da escola.
Pior que tudo isso, é a influência sobre os valores. Desde cedo – muitas vezes mesmo nos programas preparados para as crianças – elas aprendem o triunfo da esperteza, do furto, do ganho fácil; aprendem a discriminar pela cor, etnia, credo ou classe social, ou seja, a não valorizar o diferente; aprendem que os fortes vencem os fracos, os grandes derrotam os pequenos; que as leis podem ser burladas desde que ninguém esteja olhando e muitos outros contravalores.
Antigamente – não faz muito tempo – identificava-se, nos desenhos animados, o bem do mal porque os personagens do bem eram bonitos, coloridos, de voz doce e temperamento meigo, e os do mal eram monstrinhos.
Hoje, porém, até os personagens do bem vêm em forma de monstros e brigam entre si. Um exemplo disso é o desenho japonês Pokémon, campeão entre a garotada. Minha irmãzinha de seis anos, infelizmente, não escapou da febre Pokémon. Um dia, assistindo a um episódio com ela perguntei-lhe: “Quem é do bem e quem é do mal?”, ela disse-me que ambos eram do bem. Eu fiz nova pergunta: “Por que o bem precisa brigar contra si, não é mais lógico brigar contra o mal?”, mas ela acha a coisa mais natural do mundo: “É porque eles precisam das insígnias”. Mas justifica brigar contra os bons?, perguntei insistente. Ela, para finalizar a “discussão”, disse: “É porque tem de ser assim mesmo e pronto”. Nessas últimas férias, fui com ela ao cinema e fiquei indignada dela ter gostado mais do filme Pokémon do que do Caminho para El Dourado.
Aos poucos, os pequenos acostumam-se e modelam-se – linguajar, roupas, comportamentos, mentalidades, valores... – segundo a ditadura televisiva.

Como usar a televisão
O jornalista italiano Pascale Iónata (5) aponta algumas sugestões sobre como usar a televisão de modo que não prejudique, mas auxilie na educação da criança:
- Ajudar as crianças a escolherem os programas mais adequados para elas e assisti-los em sua companhia;
- Falar com as crianças sobre os programas de TV pelos quais elas têm mais interesse e escutar seus comentários;
- Combinar com elas quanto tempo se pode dedicar à TV; e não permitir TV em seus quartos;
- Evitar que vejam TV antes de irem à escola;
- Evitar que fiquem diante da TV até o momento de ir dormir (especialmente quando se tratar de programas emocionantes);
- Evitar que o televisor esteja ligado durante as refeições;
- Evitar a utilização da TV como babá;
- Não usar a privação da televisão como castigo;
- Desencorajar o uso do controle remoto para realizar um multiprograma;
- Evitar que façam os deveres de casa diante da TV;
- Ter atenção aos aspectos sanitários do relacionamento com a TV (hábito de comer fora de hora das refeições, ficar em posições incorretas, ambiente escuro, aproximação do vídeo etc.);
- Proporcionar às crianças programas alternativos à TV, motivando-as a jogar, ler, conviver com outras pessoas;
- Dar o bom exemplo.
Enfim, é preciso “trancar o televisor no armário e fazê-lo funcionar em períodos limitados, não lhe permitindo dominar a situação”(6).

Notas bibliográficas:
1. BRANDÃO, Carlos, R. O que é educação. 33 ed. São Paulo: Brasil, 1995, p. 65.
2. BETTENCOURT, Estêvão. A “senhora” televisão. Pergunte e responderemos. Ano XXX, n. 323, abr/1989, p. 81, Rio de Janeiro: Lumen Christi.
3. SANTANCHÈ, Egidio. O mundo desconhecido das nossas crianças. São Paulo: Cidade Nova, 1994, p. 19.
4. Ibidem, p. 22.
5. IÓNATA, Pascal. A hipnose da televisão. Cidade Nova, ano XXXV, n. 4, abr/1993, pp. 10-12, São Paulo: Cidade Nova.
6. SANTANCHÈ, Egidio. O mundo desconhecido das nossas crianças. São Paulo: Cidade Nova, 1994, p. 28.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Festum omnium sanctorum

No dia primeiro de novembro a Igreja Católica celebra a “festa de todos os santos”. Diversas denominações cristãs também a festejam, embora em outras datas. Mas o que significa esse dia grandioso para quem tem a fé cristã? Significa que todos os batizados são chamados à santidade, que não consiste – como muitos pensam equivocadamente – em fazer coisas extraordinárias e milagres, mas em ser coerente com o que reza a fé. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, no final seremos salvos pelo seguimento da consciência, obviamente orientada pela e para a Bondade, a Beleza e a Verdade.
Algumas palavras são, podemos dizer, chaves no caminho da santidade. A primeira, obviamente, é o amor. Ele está no topo da lista dos preceitos cristãos. No decálogo é o primeiro que aparece: “Amarás o Senhor teu Deus, com todo teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6,5).
E posteriormente Jesus o ratifica e amplia, quando alguém lhe pergunta qual é o maior mandamento e Ele responde: “Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças. E o segundo mandamento é este: ama o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,30-31).
Vale falar que o amor não é apenas sentimento, tantas vezes é possível amar mesmo não sentindo afeto. Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, ensinava seus filhos espirituais a seguir constantemente a regra de ouro: “Fazei aos outros o que gostaríeis que eles vos fizessem." (Mt 7,12). Essa é, sem dúvida, a melhor forma de exercitar o amor.
Uma palavra que merece destaque também é a coerência. Essa palavra se coloca como um imenso desafio. Como o grande Paulo escreveu, tantas vezes “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rm 7,15). Mas devemos estar sempre com os olhos no alvo, na busca de nos assemelharmos a Ele, e, embora constantemente caiamos, incessantemente necessitamos recomeçar. É isso o que conta.
Outra palavra importantíssima é a alegria. Sobretudo os que não têm ou jamais tiveram uma “militância igrejeira” tendem a imaginar que os santos sejam pessoas reservadas, tristes, melancólicas. Porém, quando lemos a história dos que foram reconhecidos oficialmente como santos – ou seja, foram canonizados – encontramos pessoas inteiramente iguais a nós, com as dores e gozos, e é muito comum terem um senso de humor refinado. Portanto, ser alegre é emblemático, afinal, Deus é a felicidade indelével, a única que nada pode roubar.
Para finalizar, deixo uma frase que Chiara Lubich difundia entre nós: “Sarò sant@ se sono sant@ subito” (Serei sant@ se for sant@ agora). Portanto, é nas pequenas coisas do cotidiano que vamos nos santificando, não deixando para amar amanhã, mas hoje; não daqui a pouco, mas agora.