quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Livro: O monge e o executivo

O monge e o executivo
James C. Hunter

Um livro surpreendente, que apresenta excelentes reflexões sobre a vida, afinal, tudo caminha de acordo com os relacionamentos, consigo, com as outras pessoas e com o numinoso.
Dentre tantas reflexões importantes, Hunter lembra a célebre frase de Margareth Tatcher: “Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você não é”.
Uma vez que o livro trata de liderança, afirma que você gerencia coisas, mas pessoas você lidera.
Lembra a importância de ouvir sempre e falar quando – e somente quando – tem vontade, ou seja, quando tem algo a dizer.
Estabelece a diferença entre poder e autoridade. Segundo ele, poder é sinônimo de coação, autoridade é sinônimo de influência; pelo poder se consegue que as pessoas façam algo embora elas não queiram, pela autoridade, elas fazem o que você quer de bom grado.
Segundo Hunter, comportamento é escolha e a confiança é a cola dos relacionamentos. E mais: compromisso é ater-se – manter-se fiel – às escolhas.
Para quem acredita que só é possível ser feliz possuindo muito dinheiro, Hunter diz que “os maiores prazeres da vida são totalmente grátis”, como o pôr do sol, a brisa do mar, o beijo da pessoa amada.
O autor fala também da importância de desafiar os paradigmas acerca de si, dos outros e do mundo; isto é, ter coragem de arriscar, fazer diferente e permitir ver o outro de maneira diferente.
Para ele, liderar é servir, tendo a capacidade de suprir as reais necessidades dos liderados. Para isso, é imprescindível estabelecer a diferença entre vontade e necessidade.
Falando sobre a importância de tecer críticas em particular e elogios em público, cita a frase de William James: “no centro da personalidade humana está a necessidade de ser apreciado”.
Para ele, o maior papel do líder é amar. E “amor não é como nos sentimos a respeito dos outros, mas como nos relacionamos com os outros”. Afinal, “tudo o que o líder faz envia uma mensagem”.
Ainda sobre o amor, “os sentimentos vêm e vão... é o compromisso que nos sustenta”.
Por fim, a mensagem de que não é possível mudar a ninguém senão a si mesmo: “O homem é essencialmente autodeterminante. Ele se transforma no que fez de si mesmo” (Viktor Frankl). Isso não é fácil, é preciso fazer escolhas e ter disciplina. Afinal, “disciplina tem como objetivo ensinar-nos a fazer o que não é natural”. E, finalmente, “... não vemos o mundo como ele é, nós o vemos como somos”.


Hunter, James C. O monge e o executivo; uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

Palavra de Vida: “Convertei-vos e crede no Evangelho.” (Mc 1,15)

É assim que começa, no Evangelho de Marcos, o anúncio de Jesus ao mundo, a sua mensagem de salvação: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus se aproxima. Convertei-vos e crede no Evangelho”.
Com a vinda de Jesus inicia uma era nova, o tempo da graça e da salvação. Suas primeiras palavras são um convite a abraçar a grande novidade, a própria realidade do Reino de Deus, que Ele coloca ao alcance de todos, perto de cada homem.
Jesus indica imediatamente o caminho: converter-se e crer no Evangelho, isto é, mudar radicalmente de vida e aceitar, em Jesus, a palavra que Deus dirige por meio Dele à humanidade de todos os tempos.
São duas coisas que caminham lado a lado: a conversão e a fé. Uma não existe sem a outra. Ambas nascem pelo contato com a Palavra viva, pela presença de Jesus, que também hoje repete às multidões:

“Convertei-vos e crede no Evangelho.”

A Palavra de Deus acolhida e vivida realiza uma completa mudança de mentalidade (= conversão). Coloca no coração de todos – europeus, asiáticos, australianos, americanos, africanos – os sentimentos de Cristo diante das circunstâncias, das pessoas e da sociedade.
Mas de que modo o Evangelho pode realizar o milagre de uma profunda conversão, de uma fé nova e luminosa? O segredo está no mistério que as Palavras de Jesus encerram. Elas não são simplesmente exortações, sugestões, indicações, diretrizes, ordens ou comandos. Na Palavra de Jesus está presente o próprio Jesus a falar, a nos falar. As suas Palavras são Ele mesmo, são o próprio Jesus.
É por isso que nós o encontramos na Palavra. E acolhendo a Palavra no nosso coração, como Ele quer que seja acolhida (ou seja, estando dispostos a traduzi-la em vida), tornamo-nos uma só coisa com Ele, e Ele nasce ou cresce em nós. É esse o motivo pelo qual cada um de nós pode e deve acolher esse convite tão urgente e tão exigente de Jesus.

“Convertei-vos e crede no Evangelho.”

Pode ser que alguém ache as palavras do Evangelho muito elevadas e difíceis, muito distantes do modo comum de viver e de pensar, e se sinta tentado a não escutá-las, a desanimar. Mas isso acontece quando se pensa que se deve remover sozinho a montanha da própria incredulidade. Ao passo que bastaria esforçar-se em viver ainda que fosse uma única Palavra do Evangelho, para encontrar nela uma ajuda inesperada, uma força sem igual, uma lâmpada para guiar os próprios passos (cf. Sl 118,105); porque a comunhão com aquela Palavra – sendo essa uma presença de Deus – liberta, purifica, converte, conforta, comunica alegria, doa sabedoria.

“Convertei-vos e crede no Evangelho.”

Quantas vezes durante o dia essa Palavra pode ser uma luz para nós! Toda vez que deparamos com a nossa fraqueza ou com a fraqueza dos outros, cada vez que nos parecer absurdo ou impossível seguir Jesus, quando as dificuldades tentarem nos abater, essa Palavra nos pode fazer alçar vôo, pode ser para nós uma rajada de ar fresco, um estímulo a recomeçar.
Bastará uma pequena e rápida “conversão” de rota para sairmos do isolamento do nosso eu e nos abrirmos a Deus, para experimentarmos uma vida diferente, a vida verdadeira.
Depois, se pudermos compartilhar essa experiência com alguma pessoa amiga que também escolheu o Evangelho como seu código de vida, veremos a comunidade cristã brotar ou reflorescer ao nosso redor.
Porque a Palavra de Deus vivida e comunicada realiza também este milagre: dá origem a uma comunidade visível, que se torna fermento e sal da sociedade, testemunhando Cristo em todos os pontos da terra.

Chiara Lubich

http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2012/02/palavra-de-vida-fevereiro-de-2012.html