segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Palavra de Vida: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para Ele.” (Lc 3,4)

Neste período do Advento, eis aqui uma nova “palavra” que somos convidados a viver. O evangelista Lucas toma-a de Isaías, o profeta da consolação. Para os primeiros cristãos, ela era  referida a João Batista, que precedeu Jesus.
E a Igreja, nessa época que antecede o Natal, ao apresentar-nos justamente o Precursor, convida-nos à alegria, porque o Batista é como um mensageiro que anuncia o Rei. Com efeito, esse Rei está para vir. Aproxima-se o tempo em que Deus realiza suas promessas, perdoa os pecados, doa a salvação.
“Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para Ele.”
Mas se, por um lado, essa frase fala de alegria, por outro, ela é também um convite para darmos um novo rumo a toda a nossa existência, para mudarmos radicalmente de vida.
O Batista convida-nos a preparar o caminho do Senhor. Mas qual é esse caminho?
Antes de sair à vida pública para iniciar a sua pregação e anunciado pelo Batista, Jesus passou pelo deserto. É esse o seu caminho. E no deserto, ao mesmo tempo em que encontrou a profunda intimidade com seu Pai, encontrou também as tentações, tornando-se assim solidário com todos os homens. E de lá saiu vencedor. É o mesmo caminho que encontramos mais tarde, na sua morte e ressurreição. Tendo-o percorrido até o fim, Jesus torna-se, Ele próprio, “caminho” para nós que estamos peregrinando.
Ele mesmo é o caminho que devemos percorrer para podermos realizar completamente a nossa vocação humana, que é entrar na plena comunhão com Deus.
Cada um de nós é chamado a preparar o caminho para Jesus, que deseja entrar na nossa vida. É preciso, então, aplainar as veredas da nossa existência para que Ele possa vir habitar em nós.
É preciso preparar-lhe o caminho, eliminando um a um todos os obstáculos: tanto os que são colocados pelo nosso modo limitado de ver, quanto os que provêm da nossa vontade enfraquecida.
É preciso ter a coragem de optar entre um caminho que nos agrade e aquele que Ele escolheu para nós; entre a nossa vontade e a vontade Dele, entre um programa desejado por nós e aquele que foi imaginado pelo seu amor onipotente.
Uma vez tomada essa decisão, é preciso trabalhar para moldar a nossa vontade teimosa de acordo com a Dele.
De que forma? Os cristãos realizados ensinam um método bom, prático, inteligente: “agora, já”.
No momento presente, eliminar pedra após pedra, para que em nós viva não mais a nossa vontade, mas a Dele.
Desse modo teremos vivido a Palavra:
“Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para Ele.”
Chiara Lubich

http://www.focolare.org/pt/news/2011/12/01/dicembre-2011/

domingo, 11 de setembro de 2011

Palavra de Vida: “Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado.” (Lc 15,32)

Essa frase encontra-se no final da chamada parábola do filho pródigo – que certamente você conhece – e quer revelar a grandeza da misericórdia de Deus. Ela conclui todo um capítulo do Evangelho de Lucas no qual Jesus narra outras duas parábolas para ilustrar o mesmo assunto.
Lembra-se do episódio da ovelha desgarrada, em que o dono do rebanho a procura, deixando as outras noventa e nove no deserto (Lc 15,4-7)?
Lembra-se também da história da dracma perdida e da alegria da mulher que, após tê-la encontrado, chama as amigas e as vizinhas para se alegrarem com ela (Lc 15,8-10)?
“Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado.”
Essas palavras são um convite que Deus dirige a você e a todos os cristãos para rejubilar-se com ele, para festejar e participar da sua alegria pela volta do homem pecador que estava perdido e foi encontrado. Na parábola, são essas as palavras dirigidas pelo pai ao filho mais velho, com quem dividiu toda a sua vida, mas que, após um dia de trabalho duro, se recusa a entrar em casa, onde se festeja a volta do seu irmão.
O pai vai ao encontro do filho fiel – assim como foi ao encontro do filho perdido – e procura convencê-lo. Mas o contraste entre os sentimentos do pai e os sentimentos do filho mais velho é evidente: de um lado, o pai, com seu amor sem limites e com sua grande alegria, da qual gostaria que todos participassem; do outro, o filho, cheio de desprezo e de ciúmes de seu irmão, que ele não mais reconhece como tal. De fato, diz a seu respeito: “Este teu filho, que devorou teus bens” (Lc 15,30).
O amor e a alegria do pai pelo filho que voltou evidenciam ainda mais o rancor do outro, rancor que mostra um relacionamento frio – diríamos até falso – com o próprio pai. Para esse filho, o importante é o trabalho, o cumprimento do dever; mas ele não ama o pai como um filho. Ao contrário, mais parece que lhe obedece como a um patrão.
“Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado.”
Com essas palavras, Jesus denuncia um perigo que também você pode correr; viver para ser uma “pessoa de bem”, baseando a vida na busca da perfeição e criticando os irmãos “menos perfeitos” do que você. Na verdade, se você estiver “apegado” à perfeição, construirá seu ego, ficará cheio de si mesmo, cheio de admiração pela própria pessoa. Será como o filho que ficou em casa e enumera ao pai os próprios méritos: “Há tantos anos que eu te sirvo e jamais transgredi um só dos teus mandamentos” (Lc 15,29).
“Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado.”
Com essas palavras, Jesus se contrapõe à atitude segundo a qual a relação com Deus estaria fundamentada apenas na observância dos mandamentos. Essa observância, porém, não é suficiente. Também a tradição judaica está bem consciente disso.
Nessa parábola, Jesus põe em evidência o Amor divino, mostrando como Deus, que é Amor, dá o primeiro passo em direção ao homem, sem levar em consideração se ele merece ou não; Deus quer que o homem se abra a Ele para poder estabelecer uma autêntica comunhão de vida. Naturalmente, como você entenderá, o maior obstáculo diante de DeusAmor é justamente a vida daqueles que acumulam ações, obras, enquanto Deus quer simplesmente o coração deles.
“Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado.”
Com essas palavras, Jesus convida você a ter, diante do homem pecador, o mesmo amor sem limites que o Pai tem para com ele. Jesus convida você a não julgar segundo a sua medida o amor que o Pai tem para com qualquer pessoa. Convidando o filho mais velho a partilhar da sua alegria pelo filho encontrado, o Pai pede também a você uma mudança de mentalidade. Na prática, você deve acolher como irmãos e irmãs também os homens e as mulheres pelos quais nutriria apenas sentimentos de desprezo e de superioridade. Isso provocará em você uma verdadeira conversão, porque o purifica da sua convicção de ser “mais perfeito”, evita que você caia na intolerância religiosa e o faz acolher, como pura dádiva do amor de Deus, a salvação que Jesus lhe proporcionou.

Chiara Lubich

http://paroquiaperpetuosocorro.net/palavra-de-vida-setembro-2011.html

domingo, 14 de agosto de 2011

Maximiliano Kolbe

Raimundo Kolbe nasceu no dia 8 de janeiro de 1894, em Zdunska Wola, na Polônia, numa família de operários profundamente religiosos, que lhe deram pouco conforto material, mas proporcionaram-lhe um ambiente de fé e acolhida da vontade de Deus.
Por volta dos nove anos, ajoelhado diante do oratório na modesta casa de seus pais, apareceu-lhe a Virgem Maria, segurando uma flor branca – representando a virgindade – e uma vermelha – simbolizando o martírio – e perguntou-lhe qual preferia; ele, angustiado pela difícil escolha, respondeu: “As duas”.
Aos 13 anos, entrou no seminário dos Frades Menores Conventuais e, emitindo sua profissão religiosa, recebeu o nome de Maximiliano Maria. Concluindo os estudos preliminares, foi enviado a Roma para obter doutorado em filosofia e teologia.
Em 1917, movido por um incondicional amor a Maria, fundou o movimento de apostolado mariano “Milícia da Imaculada”. A milícia seria uma ferramenta nas mãos da Medianeira Imaculada para a conversão e santificação de muitos. No ano seguinte, 1918, foi ordenado sacerdote e voltou à sua pátria, onde foi designado para lecionar no Seminário Franciscano, em Cracóvia. Então, organizou o primeiro grupo da milícia fora da Itália.
Recebendo a permissão de seus superiores para dedicar-se mais à promoção da milícia e desejoso de que muitas almas conhecessem a Deus e amassem a Nossa Senhora, começou a evangelizar através da imprensa escrita. Em 1922, mesmo sem dispor de recursos financeiros, fundou uma revista mensal intitulada “Cavaleiro da Imaculada”, que poucos anos depois chegava à elevada tiragem de um milhão de exemplares. A esta revista seguiram-se outras iniciativas editoriais: uma revista para crianças, “Pequeno Cavaleiro da Imaculada”; uma revista latina para sacerdotes, “Miles Immaculatae”, e um diário que chamou de “Pequeno Jornal”, com 200 mil exemplares. O apostolado da imprensa era seu carisma.
Em 1929, fundou o convento chamado “Niepokalanow”, que significa cidade de Maria. Era um verdadeiro recanto de oração e caloroso posto de trabalho para aqueles franciscanos engajados na evangelização através da imprensa. Dois anos depois, atendendo ao pedido do Santo Padre aos religiosos para auxiliar os esforços missionários da Igreja, foi para o Japão e fundou outra cidade da Imaculada, a “Mugenzai no Sono”. Em Nagasaki fundou também a revista “Cavaleiro da Imaculada”, que, apesar do restrito meio católico, alcançou a tiragem de 50 mil exemplares.
Desejava ir para a Índia e para os países árabes e, também lá, fundar revistas e jornais que propagassem a devoção à Imaculada, como instrumento de divulgação do Reino. No entanto, teve de retornar à Polônia, como diretor espiritual de Niepokalanow, em 1936.
De 1936 a 1939, início da Segunda Grande Guerra, Maximiliano Kolbe redobrou seu zelo no apostolado da imprensa, enquanto se ocupava também da direção do convento e da formação de 200 jovens. No dia 1º de setembro de 1939, as tropas nazistas tomaram a Polônia de surpresa, destruindo qualquer resistência. Os frades foram dispersos e Niepokalanow foi saqueada. Frei Maximiliano e cerca de 40 outros frades foram levados para os campos de concentração. Na celebração da Imaculada Conceição do mesmo ano foram libertos.
Para incriminar Frei Maximiliano Maria Kolbe, a Gestapo permitiu uma impressão final do “Cavaleiro da Imaculada”, em dezembro de 1940. No dia 17 de fevereiro de 1941, foi preso e levado à prisão Pawiak, na Varsóvia, e, ao fim de maio do mesmo ano, foi transferido para o campo de extermínio de Auschwitz, perto de Cracóvia. Era um campo de horrores. Lá foram mortos, depois de incríveis sofrimentos, quatro milhões de seres humanos. Os judeus e os padres eram os mais perseguidos. Os judeus tinham o direito de viver duas semanas, e os padres católicos, um mês.
Em resposta ao ódio dos guardas da prisão, Frei Maximiliano era obediente e sempre pronto a perdoar. E aconselhava os colegas prisioneiros a confiar na Imaculada, a perdoar, a amar os inimigos e orar pelos perseguidores: “O ódio não é a força criativa; a força criativa é o amor”. Era notado pela generosidade em dar o seu alimento aos outros, apesar dos prejuízos da desnutrição que sofria, e por ir sempre ao fim da fila da enfermaria, apesar da tuberculose aguda que o afligia.
Na noite de 3 de agosto de 1941, um prisioneiro escapou com sucesso da mesma seção onde Frei Maximiliano estava detido. Em represália, o comandante ordenou a morte por inanição de 10 prisioneiros, escolhidos aleatoriamente. O sargento Franciszek Gajowniczek, que fora escolhido para morrer, gritou lamentando que nunca mais veria a esposa e os filhos. Então, saiu da fila o prisioneiro nº 16670, pedindo ao comandante o favor de poder substituir aquele pai de família. O comandante perguntou, aos berros, quem era aquele “louco”, e, ao ouvir ser um padre católico, aquiesceu ao pedido.
Os 10 prisioneiros, despidos, foram empurrados numa pequena, úmida e totalmente escura cela dos subterrâneos, para morrer de fome. Durante 10 dias Frei Maximiliano conduziu os outros prisioneiros com cânticos e orações, e os consolou um a um na hora da morte. Após esses dias, como ainda estava vivo, recebeu uma injeção letal e partiu para o paraíso. Era o dia 14 de agosto de 1941.
O corpo de Maximiliano Kolbe foi cremado e suas cinzas atiradas ao vento. Numa carta, quase prevendo seu fim, escrevera: “Quero ser reduzido a pó pela Imaculada e espalhado pelo vento do mundo”.
Ao final da Guerra, começou um movimento pela beatificação do Frei Maximiliano Maria Kolbe, que ocorreu em 17 de outubro de 1971, pelo Papa Paulo VI. Em 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, que sobreviveu aos horrores do campo de concentração, São Maximiliano foi canonizado pelo Papa João Paulo II, como mártir da caridade. Por seu intenso apostolado, é considerado o patrono da imprensa.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Palavra de Vida: "Eis que eu vim para fazer a tua vontade" (Hb 10,9).

Esse é um versículo do Salmo 40, que o autor da Carta aos Hebreus coloca nos lábios do Filho de Deus, em diálogo com o Pai. O autor quer ressaltar, desse modo, o amor com que o Filho de Deus se fez homem para realizar a obra da redenção, em obediência à vontade do Pai.
São palavras que fazem parte de um contexto em que o autor quer demonstrar a infinita superioridade do sacrifício de Jesus em relação aos sacrifícios da antiga Lei. Contrariamente a esses últimos, nos quais se ofereciam a Deus, como vítimas, animais ou outras coisas sempre externas ao homem, Jesus, movido por um imenso amor, ofereceu ao Pai, durante a sua vida terrena, a própria vontade, toda a sua pessoa.

"Eis que eu vim para fazer a tua vontade" (Hb 10,9).

Essa Palavra nos oferece a chave de leitura da vida de Jesus, ajudando-nos a captar o seu aspecto mais profundo e o fio de ouro que une todas as etapas de sua vida na terra: a infância, a vida oculta, as tentações, as escolhas, a atividade pública, até chegar à morte na cruz. Em cada instante, em todas as situações, Jesus buscou uma única coisa: cumprir a vontade do Pai; e cumpriu-a de modo radical, não fazendo nada fora dela, e rejeitando até mesmo as propostas mais sugestivas que não estivessem em pleno acordo com aquela vontade.

"Eis que eu vim para fazer a tua vontade" (Hb 10,9).

Por essa Palavra, podemos compreender a grande lição para a qual apontava toda a vida de Jesus, ou seja, que a coisa mais importante é fazer não a nossa vontade, mas a do Pai, que é tornarmo-nos capazes de dizer não a nós mesmos para dizer sim a Ele. O verdadeiro amor a Deus não consiste nas palavras bonitas, nas belas ideias e sentimentos, mas na obediência efetiva aos seus mandamentos. O sacrifício de louvor que Ele espera de nós é a oferta amorosa, feita a Ele, daquilo que temos de mais íntimo, daquilo que mais nos pertence: a nossa vontade.

"Eis que eu vim para fazer a tua vontade" (Hb 10,9).

Como poderemos viver, então, a Palavra de Vida deste mês? Também essa é uma das palavras que mais coloca em evidência o aspecto contracorrente do Evangelho, pelo fato de se opor à nossa tendência mais arraigada, que é procurar a nossa vontade, seguir os nossos instintos e os nossos sentimentos.
Essa Palavra é também uma das mais chocantes para o homem moderno. Vivemos na época da exaltação do eu, da autonomia da pessoa, da liberdade como fim em si, da auto-satisfação como realização do indivíduo, do prazer considerado como critério das próprias escolhas e como segredo da felicidade. Mas sabemos também as consequências desastrosas que decorrem desse tipo de cultura.
Pois bem. A essa cultura, baseada na busca da própria vontade, contrapõe-se a de Jesus, totalmente orientada ao cumprimento da vontade de Deus, com os efeitos maravilhosos que Ele nos garante.
Portanto, procuraremos viver a Palavra deste mês escolhendo, também nós, a vontade do Pai, ou seja, fazendo dela, como Jesus fez, a norma e o princípio motor de toda a nossa vida. Assim nos lançaremos numa divina aventura, pela qual seremos eternamente gratos a Deus. Por meio dela nos santificaremos e irradiaremos o amor de Deus em muitos corações.

Chiara Lubich

http://palavradevidafocolaresabaetetuba.blogspot.com/

domingo, 3 de julho de 2011

Palavra de Vida: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41).

Estas palavras foram dirigidas por Jesus a Pedro, Tiago e João, durante sua agonia no Getsêmani, ao vê-los dominados pelo sono. Ele tinha levado consigo esses três apóstolos – os mesmos que haviam testemunhado sua transfiguração no monte Tabor – para que ficassem a seu lado naquele momento tão difícil e se preparassem com Ele pela oração, pois o que estava para acontecer seria uma terrível provação também para eles.

“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

Mais do que uma recomendação de Jesus aos discípulos, é preciso entender essas palavras – à luz das circunstâncias em que são pronunciadas – como um reflexo de seu estado de espírito, ou seja, de como Ele se prepara para a provação. Diante da paixão iminente, Ele reza com todas as forças de seu espírito, luta contra o medo e o pavor da morte, lança-se no amor do Pai, para ser fiel até o fim à sua vontade, e ajuda seus apóstolos a fazer o mesmo.
Aqui Jesus revela-se a nós como o modelo para quem precisa enfrentar uma provação e, ao mesmo tempo, como o irmão que se coloca ao nosso lado naquele momento difícil.

“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto,mas a carne é fraca”.

A exortação à vigilância aparece com frequência nos lábios de Jesus. Para Ele, vigiar significa jamais se deixar vencer pelo “sono espiritual”, estar sempre pronto a acolher a vontade de Deus, saber captar os sinais dela na vida de cada dia e, sobretudo, saber interpretar as dificuldades e os sofrimentos à luz do amor de Deus.
Mas a vigilância é inseparável da oração, pois a oração é indispensável para vencer a provação. A fragilidade conatural ao homem (“a fraqueza da carne”) pode ser superada pela força que vem do Espírito.

“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

Como podemos, então, viver a Palavra de Vida deste mês?
Também nós devemos prever, em nosso programa, o encontro com a provação, as pequenas ou as grandes que enfrentamos todos os dias. Podem ser provações normais ou provações clássicas, com as quais, cedo ou tarde, quem é cristão, não pode deixar de deparar-se. Ora, a primeira condição para superar a provação, qualquer provação – alerta Jesus –, é a vigilância. Trata-se de saber discernir, de perceber que são provações permitidas por Deus, não certamente para nos desencorajar, mas para que, ao superá-las, amadureçamos espiritualmente.
Ao mesmo tempo, devemos rezar. A oração é necessária, porque as tentações às quais estamos mais expostos nesses momentos são de dois tipos: por um lado, a presunção de conseguirmos superar sozinhos a provação; por outro, o sentimento oposto, ou seja, o temor de não sermos capazes de superá-la, como se ela fosse superior às nossas forças. No entanto, Jesus nos garante que o Pai celeste não nos deixará faltar a força do Espírito Santo, se estivermos vigilantes e se lhe pedirmos essa força com fé.
                                      
                                       Chiara Lubich


http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/07/palavra-de-vida-de-julho-2011.html

domingo, 5 de junho de 2011

Palavra de Vida: “Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito” (Rm 12,2)

Esta frase encontra-se na segunda parte da Carta de S. Paulo aos Romanos. Aqui, o apóstolo descreve o procedimento cristão como expressão da nova vida, do verdadeiro amor, da verdadeira alegria e da verdadeira liberdade que Cristo nos deu. É a vida cristã como um novo modo de enfrentar, com a luz e a força do Espírito Santo, as várias tarefas e problemas que podemos vir a encontrar.
Neste versículo, estreitamente ligado ao anterior, o apóstolo define a finalidade e a atitude de base que deveriam caracterizar sempre o nosso comporta­mento: fazer da nossa vida um hino de louvor a Deus, um ato de amor prolongado no tempo, na busca constante da Sua vontade, daquilo que Lhe é mais agradável.

“Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito”.

É evidente que, para cumprir a vontade de Deus, é necessário, primeiro, conhecê-la. Mas, como o apóstolo nos faz compreender, isso não é fácil. Não é possível conhecer bem a vontade de Deus sem uma luz especial. Uma luz que nos ajude a discernir, nas várias situações, aquilo que Deus quer de nós, evitando as ilusões e os erros em que facilmente poderíamos cair.
Trata-se daquele dom do Espírito Santo que se chama “discernimento” e que é indispensável para construir em nós uma autêntica mentalidade cristã.

“Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito”.

Mas, como obter e desenvolver em nós esse dom tão importante? Claro que é preciso que tenhamos um bom conhecimento da doutrina cristã. Mas isso não é suficiente. Como nos sugere o apóstolo, é sobretudo uma questão de vida. É uma questão de generosidade, de esforço por viver a Palavra de Jesus, pondo de lado os receios, as incertezas e os cálculos mesquinhos. É uma questão de disponibilidade e de prontidão em cumprir a vontade de Deus. É esta a forma de adquirir a luz do Espírito Santo e construir em nós a nova mentalidade que aqui nos é pedida.

“Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito”.

Como viveremos então a Palavra de Vida deste mês? Procurando merecer, também nós, aquela luz que é necessária para cumprir bem a vontade de Deus.
Vamos procurar então conhecer cada vez melhor a Sua vontade tal como nos é expressa através da Sua Palavra, dos ensinamentos da Igreja, dos deveres do nosso estado, etc.
Mas, sobretudo, procuremos vivê-la, já que, como acabamos de ver, é vivendo no amor que brota em nós a verdadeira luz. Jesus mani­festa-se a quem O ama e põe em prática os seus mandamentos (cf. Jo 14,21).
Conseguiremos assim cumprir a vontade de Deus e dar-lhe a melhor prenda que Lhe podemos oferecer. E isto ser-Lhe-á agradável não só pelo amor que poderá exprimir, mas também pela luz e pelos frutos de renovação cristã que suscitará à nossa volta.

Chiara Lubich


http://focolares.org.pt/palavra/texto/683-junho-2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Joana d'Arc

Ainda se fala muito sobre Joana d'Arc. Que bom! Uma figura tão importante deve, realmente, ser conhecida e amada por muit@s. No entanto, alguns filmes ou peças teatrais fazem uma leitura da vida de Joana de uma forma, eu diria, estranha.
Em alguns ela aparece como uma menina enlouquecida que tem visões estranhas; ou vingativa, que luta apenas para saciar sua sede de justiça; ou como uma rebelde sem causa, uma moça irada, que sabe muito bem o que quer e passa por cima de tudo e de todos para atingir seus objetivos - fazem até trocadilhos com seu nome, em vez de d'Arc, escrevem dark.
Interpretam-na também como uma revolucionária feminista, precursora do movimento pela liberação feminina, como alguém que vai contra tudo o que se esperava da mulher da Idade Média. Vale lembrar que se ela foi contra o que se esperava da mulher, não teve esse objetivo; mas sua missão era comandar o exército do rei e para lutar precisava vestir-se como homem.
Para outros, Joana não passa de uma figura histórica, que viveu no século XV, durante a última fase da guerra dos cem anos, e devolveu a França aos franceses, levando o rei Carlos de Valois à sagração.
Na verdade, quem foi Joana d'Arc? É difícil dizer com palavras quem foi, aliás quem é, Joana d'Arc. Uma menina que nasceu na França, na aldeia de Domrémy, no dia seis de janeiro de 1412, e que sempre visitava a igreja do lugarejo. Tinha uma vida normal, ajudava aos pais e irmãos nos afazeres de casa, brincava com as outras crianças... Um dia, tendo 13 anos, escuta a voz de São Miguel Arcanjo, anunciando-lhe que em breve as Santas Catarina de Alexandria e Margarida de Antioquia virão dizer-lhe o que deve fazer. Essa voz não era fruto da imaginação ou do delírio de uma menina esquizofrênica; mas uma locução interior de alguém que rezava, que era amiga de Deus.

A camponesa é transformada em guerreira
A visita das santas e as locuções interiores tornaram-se frequentes, e isso leva Joana mais ainda à igreja, confessa-se assiduamente, sua alma é toda de Deus. E Deus vai transformando a camponesa em guerreira.
O Arcanjo lhe anuncia: "Filha de Deus, tu conduzirás o rei à cidade de Reims para que ali receba sua digna sagração". Joana recebe uma missão, um chamado, não vai ao encontro do rei simplesmente para lutar, seu intuito não é aparecer, mas fazer a vontade de Deus.
E isso lhe custa. É difícil, sem dúvida, deixar os pais, irmãos, amigos, a casa, a cidade onde nasceu e viveu a vida inteira. No entanto, o amor por Deus é maior, se Ele quer assim, ela também quer. Joana não é uma rebelde sem causa, mas uma moça que abraça com radicalidade a vocação que Deus lhe confiou, são suas as palavras: "Hoje, é melhor que amanhã; agora, é melhor que daqui a pouco".
Joana vai para a casa do tio - que tem amizades entre os soldados do rei - para que ele lhe apresente alguém que a leve à sua majestade. Em 1429, parte ao encontro do rei, acompanhada por alguns cavaleiros. A todos surpreende: uma mocinha de 17 anos, analfabeta, compreende com uma nitidez luminosa a situação de sua terra e de seu rei. Está atenta ao que acontece em volta, conhece as dores do seu povo e sonda o coração de Deus ... e deixa-se sondar por Ele.
Quando Joana encontra-se com o rei Carlos de Valois, conta-lhe algo que apenas ele e Deus sabiam. Isso era um sinal de que ela não falava em nome próprio, mas fora enviada por Deus com a missão de libertar a França. Mesmo assim, o rei a submete a um tribunal de sábios doutores versados em teologia. Todos são surpreendidos pela sabedoria, lucidez, firmeza e até senso de humor da menina; verdadeiramente, nela não há nada que proceda do maligno. Com esta certeza, o rei a admite em seu exército.

Começam as batalhas
A "Donzela de Orleans" - como era chamada carinhosamente - escolhe um cavalo, uma espada e, o mais importante, um estandarte. Neste não estão as armas do rei, mas de Deus. Leva um sacerdote ao acampamento e faz com que os soldados se confessem. Ela deixa claro que busca os interesses de Deus em primeiro lugar.
Em uma das batalhas Joana é ferida, mas não desanima. Continua a lutar com as armas humanas e espirituais. Até que no dia 17 de julho de 1429 Carlos VII recebe sua coroa. Joana acredita que sua missão esteja concluída, mas Deus quer algo mais dela. Joana pede ao rei que reconquiste Paris. O rei fica em posição difícil, não quer reconquistar Paris à força, para não desgostar mais ainda seu primo, o Duque de Borgonha; mas não pode desagradar Joana, que era amada por todos os franceses e odiada pelos ingleses. A "Donzela de Orleans" sofre, com as demoras de Carlos VII, com as calúnias dos borgonheses e ingleses que a difamam - chamam-na de bruxa -, até os amigos do rei tramam contra ela... A luta vem despertá-la da aflição.
Em março de 1430 os santos lhe anunciam: "Antes da festa de São João, cairás prisioneira"... Quando Joana é capturada, na luta por Compiègne, o Duque de Borgonha a vende por 20 mil libras a Pedro Cauchon, bispo de Beauvais - amigo dos ingleses que um dia ameaçaram levá-la à fogueira.
A Guerreira é levada para uma masmorra. Na véspera de Natal está só e, pela primeira vez nos últimos dois anos, pede algo para si mesma: "Meu Deus, eu quero a morte!". Logo vêm suas santas lhe fazer companhia e encorajá-la.
Divulga-se a data do primeiro interrogatório da Guerreira: 21 de fevereiro de 1431. Todos os que compõem o tribunal são dominados pelo governo inglês.
Joana está doente, fraca, sai da prisão nos braços dos guardas para fazer novos depoimentos. Ela pede que o caso se resolva diante do Santo Padre, mas Cauchon recusa, sabe que se o Papa a interrogar, a libertará; tenta então fazê-la assinar uma sentença que a torna livre da fogueira, permite-lhe confissão e Eucaristia, mas a faz prisioneira até o fim da vida; isso se a Donzela abjurar e prometer não mais vestir roupas de homem. Sem forças, sequer para raciocinar, Joana pede a São Miguel que lhe diga o que fazer. Não vindo a resposta, e instigada pelas autoridades, capitula, pega a pena e faz uma cruz no lugar da assinatura. De volta à masmorra, a Donzela percebe que ter assinado era ir contra a vontade de Deus. Pede perdão a Jesus e retoma as roupas de pajem. Cauchon fica enfurecido e reúne o conselho, que sentencia: Joana será julgada como relapsa. Julgada e condenada. Rapidamente Joana deve ser levada à fogueira. Dão-lhe, todavia, confissão e Eucaristia.
É chegado o dia de sua morte. Chegando à praça, Joana ajoelha-se, faz o sinal da cruz e pede humildemente perdão por qualquer mal que possa ter feito. Já atada ao poste, suplica que alguém lhe traga uma cruz. Um soldado inglês faz uma cruz com dois pedaços de madeira e lhe entrega, ela a beija e a guarda no seio, como um grande tesouro.
Os homens que a julgaram estão inquietos, a sombra da dúvida lhes escurece as almas. Estão todos confusos, constrangidos diante da fé daquela a quem intitularam herege. Um soldado ateia fogo nos feixes de lenha que recobrem os pés da Donzela; ela olha para a cruz da Igreja e, por trás dela, vê a face das santas que a acompanharam em toda a sua missão. Durante todo o seu sofrimento, Joana pronuncia com amor o nome do Salvador. Assim morre a maior guerreira da França, uma grande santa da Igreja.
À noite, os homens que vieram recolher suas cinzas foram surpreendidos: no meio das cinzas, estava intacto o seu coração. As cinzas e o coração de Joana d'Arc foram jogados no rio Sena.

Os altares
Mais tarde, volta-se a falar no caso e Isabel, mãe de Joana, requer a revisão do processo. O Sumo Pontífice, Calixto III, indica os prelados que devem tratar da revisão. Todos começaram a falar de Joana com amor. Fizeram-se inquéritos nas cidades onde viveu e morreu, pediram o testemunho dos companheiros de armas. Por fim, o Grande Inquisidor, João Bréhal, fez publicar um memorando declarando a ortodoxia de Joana d'Arc. Ficou anulada a sentença de 1431.
Nos fins do século XIX o Papa Leão XIII tratou de sua beatificação, que foi definitivamente decretada no começo do século XX. Em 1919, Benedito XV incluiu Joana d'Arc no calendário dos santos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Palavra de Vida: Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento!” (Mt 22,37)

A discussão sobre qual seria o primeiro dentre os muitos mandamentos das Escrituras era um tema clássico nas escolas rabínicas no tempo de Jesus. Considerado um mestre, Jesus não se esquiva da pergunta que lhe dirigem a respeito: “Qual é o maior mandamento da lei?“ Ele responde de maneira original, unindo amor a Deus e amor ao próximo. Seus discípulos jamais poderão dissociar esses dois amores, assim como numa árvore não se pode separar a raiz da copa: quanto mais eles amarem a Deus, tanto mais intensificarão o amor aos irmãos e às irmãs; quanto mais amarem os irmãos e as irmãs, tanto mais aprofundarão o amor a Deus.
Mais do que ninguém, Jesus sabe quem é realmente o Deus que devemos amar e sabe como deve ser amado: Ele é seu Pai e nosso Pai, seu Deus e nosso Deus (Jo 20,17). É um Deus que ama a cada um pessoalmente, ama a mim, ama a você: é meu Deus, seu Deus (“Amarás o Senhor, teu Deus”).
E nós podemos amá-lo porque Ele nos amou primeiro: o amor que nos é preceituado é, portanto, uma resposta ao Amor. Podemos dirigir-nos a Deus com a mesma confidência e confiança que Jesus tinha quando o chamava de Abbá, Pai. Assim como Jesus, também nós podemos falar frequentemente com Ele, expondo-lhe todas as nossas necessidades, os propósitos, os projetos, reafirmando-lhe nosso amor exclusivo. Também nós esperamos com impaciência o momento de nos colocarmos em contato profundo com Ele mediante a oração, que é diálogo, comunhão, relação intensa de amizade. Nesses momentos podemos dar vazão ao nosso amor: adorar a Deus por trás da criação; glorificá-lo presente em todo lugar, no universo inteiro; louvá-lo no fundo do nosso coração ou nos sacrários, onde Ele se encontra vivo; pensar Nele no lugar onde estamos, no quarto, no trabalho, no escritório, quando encontramos outras pessoas…

“Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento!”

Jesus nos ensina também outro modo de amar o Senhor Deus. Para Jesus, amar significou cumprir a vontade do Pai, colocando à disposição o entendimento, o coração, as energias, a própria vida: Ele entregou-se completamente ao projeto que o Pai lhe tinha reservado. O Evangelho nos apresenta Jesus sempre e totalmente voltado para o Pai (Jo 1,18), sempre no Pai, sempre preocupado em dizer somente aquilo que tinha ouvido do Pai, a cumprir unicamente o que o Pai lhe mandara fazer. Também a nós Ele pede a mesma coisa; amar significa fazer a vontade do Amado, sem meios-termos, com todo o nosso ser: “… com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento”. Porque o amor não é apenas um sentimento. “Por que me chamais: ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que vos digo?” (Lc 6,46), pergunta Jesus a quem o ama somente com as palavras.

“Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento!”

Como, então, podemos viver esse mandamento de Jesus? Sem dúvida, mantendo com Deus uma relação filial e de amizade, mas, acima de tudo, fazendo o que Ele quer. Nossa atitude diante de Deus, como a atitude de Jesus, será: estarmos sempre voltados para o Pai, à sua escuta, na obediência, para realizar a obra Dele, somente ela e nada mais. Nisso nos é solicitado o maior radicalismo, porque não se pode dar a Deus menos do que tudo: todo o coração, toda a alma, todo o entendimento. E isso significa fazer bem, integralmente, aquela determinada ação que Ele nos pede.
Para vivermos sua vontade e nos amoldarmos a ela, muitas vezes será necessário queimar nossa vontade, sacrificando tudo o que temos no coração ou na mente, mas que não diz respeito ao momento presente. Pode ser uma idéia, um sentimento, um pensamento, um desejo, uma lembrança, um objeto, uma pessoa…
Assim nos projetamos unicamente naquilo que devemos fazer no momento presente. Falar, telefonar, escutar, ajudar, estudar, rezar, comer, dormir, viver a vontade Dele sem ficar divagando; realizar ações completas, límpidas, perfeitas, com todo o coração, a vida, o entendimento; ter como único estímulo de cada ação o amor, a ponto de dizer, em cada momento do dia: “Sim, meu Deus, nesse instante, nessa ação, eu te amei com todo o coração, com todo o meu ser”. Só assim poderemos dizer que amamos a Deus, que retribuímos o seu “ser Amor para conosco”.

“Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua vida e com todo o teu entendimento!”

Para viver esta Palavra de Vida, será útil nos analisarmos, de tempos em tempos, para ver se Deus realmente ocupa o primeiro lugar em nossa alma.
Para concluir, o que devemos fazer neste mês? Escolher novamente Deus como único ideal, como o tudo de nossa vida, recolocando-o no primeiro lugar, vivendo com perfeição sua vontade, (será aqui?) no momento presente. Devemos poder dizer-lhe sinceramente: “Meu Deus e meu tudo”; “Eu te amo”; “Sou inteiramente teu, inteiramente tua”; “És Deus, és meu Deus, o nosso Deus de amor infinito!”
Chiara Lubich

http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/05/palavra-de-vida-maio-de-2011.html

sábado, 23 de abril de 2011

Livro: Eu sou o mensageiro

Que livro bom! Cheio de humor e amor.
O protagonista é um taxista de 19 anos que tem apenas três amigos, a constante sensação de fracasso e o ódio da mãe.
O encontro com o inesperado muda completamente sua vida e o desafia a fazer algo bom por pessoas desconhecidas e também por seus amigos. E ele se encaixa perfeitamente nesse papel. Algumas das pessoas a quem teve de ajudar são verdadeiros dons e ele fica grato por conhecê-las.
Descobre como é gratificante fazer algo bom por alguém e essa descoberta dá sentido à sua existência. Essa experiência faz dele, e com certeza também do leitor, um ser humano melhor.

Zusak, Markus. Eu sou o mensageiro. RJ: Intrínseca, 2007.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Igino Giordani

Enamorado de Deus e da humanidade

Hoje celebramos o aniversário de morte de Igino Giordani, que recebeu de Chiara Lubich o seguinte depoimento: “Giordani sempre foi para nós um símbolo da humanidade, alguém que mantinha a nossa alma aberta para todo o mundo, que impedia qualquer exclusão, qualquer limitação”. Escrevi esse artigo há alguns anos, para a Revista Shalom Maná.
Igino Giordani nasceu em Tívoli, nos arredores de Roma, no dia 24 de setembro de 1894. Primeiro dos seis filhos de Mariano e Úrsula Antonelli. A família não dispunha de muitos recursos materiais mas era riquíssima em espiritualidade.
Agraciado com uma mente brilhante, aprendeu francês, inglês, português, espanhol, romeno, grego e latim. Depois de concluir os estudos elementares no Seminário de Tívoli, graduou-se em Letras e Filosofia pela Universidade de Roma.
Em 1920 casou-se com Mya Salvati. Geraram quatro filhos.

Igino e os homens
Aos 21 anos foi convocado para a guerra. Seu coração apaixonado pela humanidade confessou: “Jamais quis apontar o cano do meu fuzil para as trincheiras adversárias, por medo de matar um filho de Deus”.
Depois da guerra, numa Itália atormentada pela violência fascista, sentiu-se impulsionado a engajar-se na política. Colaborou com o Partido Popular, do qual se originou posteriormente a Democracia Cristã, e como escritor e jornalista, não obstante as punições a que eram submetidos os opositores do regime – a prisão e a morte –, combateu pela liberdade e contra a ditadura que avançava.
Em 1946 foi eleito deputado pela Democracia Cristã. Trabalhou sobretudo pela paz: apresentou proposta de lei permitindo a objeção de consciência contra o serviço militar; fez apelos para um desarmamento geral; fomentou a colaboração entre todos os partidos em favor da paz. “Não se constrói a paz preparando a guerra, mas formando as consciências e atuando a justiça social”, dizia.
Sua postura conquistou-lhe o adjetivo de político ingênuo. Acabou sendo abandonado inclusive por alguns setores católicos. Não foi reeleito em 1953, mas continuou, através de livros e artigos, a desenvolver uma importante obra de educação para a política. Sua obra literária é vastíssima, versando sobre assuntos diversificados. Dos seus livros podemos destacar: Le due Città, de inspiração agostiniana; Laicato e Sacerdozio, verdadeiro tratado de eclesiologia; La rivoluzione cristiana, expressão madura de seu pensamento político e social; Diario di fuoco, traduzido para o português pela Editora Cidade Nova e Memorie di un cristiano ingenuo, sua autobiografia publicada depois de sua morte.
Seu empenho fundamental era afirmar a validade do cristianismo na solução dos problemas do homem e a necessidade de uma ação dos homens de fé, a começar pelos intelectuais, como Igreja “militante”.

Igino e Deus
Ele, que desde a infância teve uma educação pautada no Evangelho, iniciou uma busca mais profunda de união com Deus em meio às ocupações terrenas no hospital, enquanto sofria as dores provocadas pelos ferimentos de guerra, em 1916, quando recebeu de uma freira os escritos de Contardo Ferrini (hoje canonizado). A descoberta de que um leigo também pode almejar a santidade não o deixou mais em paz.
Em 1948, recebeu no seu gabinete de deputado a visita de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, e foi incendiado pelo seu carisma. Ele assim define esse encontro: “De algum modo, eu dominava todos os setores da cultura religiosa: a apologética, a ascética, a mística, a dogmática, a moral... mas as possuía apenas culturalmente, não as vivia interiormente... nas primeiras palavras de Chiara Lubich percebi algo novo: o timbre de voz revelava uma convicção profunda que nascia de um sentimento sobrenatural. Era uma voz pela qual, sem me dar conta, sempre havia esperado. Ela colocava a santidade ao alcance de todos, derrubava os portões que separavam o mundo leigo da vida mística. Aproximava Deus: fazia com que o sentíssemos pai, irmão, amigo, tornava-o presente para a humanidade... Algo aconteceu dentro de mim: a idéia de Deus deu lugar ao amor de Deus, à imagem ideal do Deus vivo”.
Tornou-se o primeiro focolarino casado e o inspirador dos setores do Movimento dos Focolares dedicados à renovação das famílias, à preocupação com os aspectos concretos da vida social, ao diálogo ecumênico e à busca da unidade de toda a família humana.
Igino Giordani concluiu sua vida terrena no dia 18 de abril de 1980, deixando um rastro de verdadeiro testemunho de vida.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Apresentada em Roma biografia de Chiara Lubich

ROMA, quinta-feira, 13 de abril de 2011 (ZENIT.org) - A biografia oficial de Chiara Lubich (1920-2008), intitulada ‘Levar o mundo entre os braços’ (tradução livre, N. do T.), foi apresentada nessa quarta-feira no Palácio da Chancelaria, em Roma, com vários testemunhos e a certeza de que a vida da fundadora do Focolares não se pode encerrar numa biografia.
Intervieram na apresentação Andrea Riccardi, fundador da comunidade de Sant’Egídio; o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Dom João Braz de Aviz. Falaram ainda Eli Folonari, uma das primeiras companheiras de Chiara e o jornalista e autor do livro Armando Torno. 
Para Andrea Riccardi, “Chiara é uma figura unitiva, tem um papel na história contemporânea da Igreja porque é uma figura cristã mas também humanista, com um pensamento próprio. E teve ainda uma função política sem ter feito política, uma função para os não cristãos e os não crentes”.
“Neste tempo em que estamos assustados, tememos as invasões dos que são diferentes, sedentos de segurança e de fronteiras, Chiara volta a nos dizer que não tem medo de um mundo grande, e que a chave para não ter medo é amar. Ela nos ensina que o amor é a verdadeira defesa”, e que “o amor gera o amor”.
Já Dom João Braz de Aviz afirmou que ouviu falar de Chiara ainda quando ele pertencia a um pequeno grupo de seminaristas adolescentes, nos anos 60. Ela ensinava “que se chega a Deus através da prática do amor ao próximo. Não ensinava uma doutrina, mas sua experiência de vida”.
“Nessa mensagem havia duas certezas vitais: Deus me ama imensamente e sempre, não olha minhas debilidades e meus pecados. E a segunda: posso experimentar o amor de Deus construindo-o com o próximo que passou ao meu lado, não interessa quem seja, católico, ateu ou outro”.
Havia então uma mensagem nova, de “superar as barreiras na relação humana”, porque comunicar e receber a comunicação gera uma verdadeira felicidade, disse o prefeito do organismo vaticano para a Vida Consagrada.
O jornalista Armando Torno, autor do livro, reconheceu que “este volume foi escrito por alguém que nunca conheceu Chiara, na realidade não sou o autor, mas recolhi muitas histórias e testemunhos”. Segundo ele, não foi fácil colocar tudo em um livro.
Para o jornalista do ‘Corriere della Sera’, “Chiara desbloqueia o amor, põe em crise as hipóteses econômicas, os discursos ecumênicos, os políticos; ela dá respostas aos problemas de hoje, àqueles que a sociedade não consegue resolver”.
O autor assinala que se trata de uma revolução do amor “de uma mística vivida com grande normalidade” e que cria uma organização com grande simplicidade, que não tem um plano preestabelecido a não ser o Evangelho. Ela “é uma figura deslumbrante”.
http://www.zenit.org/article-27740?l=portuguese

Livro: A menina que roubava livros

O livro narra a história de Liesel Meminger, uma garota que desde cedo é visitada pela desventura. Perde o irmão numa viagem de trem e em seguida a mãe. É adotada por um casal um tanto peculiar. A mãe é rabugenta e grande usuária de palavrões; o pai é atencioso, generoso e tocador de acordeão. Torna-se grande amigo e professor de Liesel.
De uma forma inteligente critica a insensatez da guerra. E, sobretudo, aborda temas importantes, como a amizade, a generosidade, a compaixão.
Escrito com extrema maestria, tem como narrador em primeira pessoa a morte, que diz verdades incontestáveis: “... o ser humano é contraditório. Um punhado de bem, um punhado de mal. É só misturar com água.”
Diz mais: “... constantemente superestimo e subestimo a raça humana... raras vezes simplesmente a estimo”. O ser humano é capaz da beleza e da brutalidade.

Zusak, Markus. A menina que roubava livros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Livro: O menino do pijama listrado

Depois de ter assistido ao filme homônimo algumas vezes e de ter lido “O garoto no convés” e “Palácio de Inverno” (ambos maravilhosos!), resolvi ler “O menino do pijama listrado”.
Esse livro é fabuloso! Aborda a loucura da guerra; como é possível que um povo odeie outro inventando para isso justificativas absurdas? Um menino alemão torna-se amigo de um menino judeu e, por vezes, também se pega com comportamentos absurdos, como a traição e a mentira. Mas ao passo em que vai aprofundando essa amizade vai, de certa forma, compreendendo que não é verdade o que falam por aí.

Boyne, John. O menino do pijama listrado. SP: Cia das Letras, 2011.

Palavra de Vida: “Não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres” (Mc 14,36)

Jesus estava no Monte das Oliveiras, numa propriedade chamada Getsé-mani. A hora tão esperada tinha che­gado. Era o momento crucial de toda a Sua existência. Ajoelha-se no chão e supli­ca a Deus – chamando-Lhe “Pai”, com ternura familiar – que “afaste de Si aquele cálice”. Uma expressão que se refere à Sua Paixão e Morte. Reza para que passe aquela hora... Mas, no fim, dispõe-se total­mente a fazer a vontade do Pai:
“Não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres”.
Jesus sabe que a sua Paixão não é um acontecimento ocasional, nem é sim­plesmente uma decisão dos homens. É um plano de Deus. Ele seria condenado e rejeitado pelos homens, mas o “cálice” vem das mãos de Deus.
Jesus ensina-nos que o Pai tem um pro­jecto de amor sobre cada um de nós. Ele ama-nos com um amor pessoal e, se acreditarmos nesse amor e se lhe cor­respondermos com o nosso amor – eis as condições –, Ele faz com que tudo se oriente para o bem. Para Jesus, nada aconteceu por acaso, e muito menos a Paixão e a Morte.
E depois houve a Ressurreição, cuja festa celebramos solenemente neste mês.
O exemplo de Jesus, Ressuscitado, deve ser uma luz para a nossa vida. Tudo aquilo que vier, aquilo que acontecer, aquilo que nos rodear e também tudo o que nos fizer sofrer, deve ser visto como a vonta­de de Deus que nos ama ou como uma permissão d’Ele, que continua a amar-nos. Então tudo terá sentido na vida, tudo será extremamente útil, até aquilo que, naquele momento, nos possa parecer incompreensível e absurdo. Até aquilo que – como aconteceu com Jesus – nos possa fazer cair numa angústia mortal. Basta que, juntamente com Ele, saibamos repetir, com um acto de total confiança no amor do Pai:
“Não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres”.
A Sua vontade é que vivamos, que Lhe agradeçamos com alegria pelas dádivas da vida. Mas, às vezes, não coincide com aquilo que nós gostaríamos: um objecti­vo diante do qual nos devemos resignar – principalmente quando nos deparamos com o sofrimento –, ou uma sucessão de actos monótonos ao longo da nossa existência.
A vontade de Deus é a Sua voz, que continuamente nos fala e nos convida. É o modo com que Ele nos exprime o Seu amor, para nos dar a Sua plenitude de Vida.
Poderíamos representá-la com a ima­gem do Sol cujos raios são como a Sua vontade sobre cada um de nós. Cada um segue um raio de Sol, distinto do raio de Sol de quem está ao nosso lado, embora ambos sejam raios de Sol, isto é, a von­tade de Deus. Todos, portanto, fazemos uma única vontade, a vontade de Deus, mas, para cada um, ela é diferente. Além disso, os raios, quanto mais se aproxi­mam do Sol, mais se aproximam entre eles. Também nós, quanto mais nos aproximamos de Deus – com o cumpri­mento cada vez mais perfeito da divina vontade –, mais nos aproximamos entre nós... até todos sermos um.
Vivendo assim, tudo na nossa vida pode mudar. Em vez de procurarmos as pesso­as que nos agradam e amarmos só essas, podemos aproximar-nos de todos aqueles que a vontade de Deus coloca ao nosso lado. Em vez de preferirmos as coisas que nos agradam mais, podemos ocupar-nos daquelas que a vontade de Deus nos sugere e, portanto, dar-lhes a preferência. O estarmos totalmente projectados na vontade divina desse momento (“o que Tu queres”), levar-nos-á, como consequên­cia, ao desapego de todas as coisas e do nosso eu (“não se faça o que Eu quero”). Desapego que não é procurado proposi­tadamente – porque se procura a Deus apenas –, mas que se acaba por encon­trar. Então, a alegria será completa. Basta mergulharmos no momento que passa e realizar nesse momento a vontade de Deus, repetindo:
“Não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres”.
O momento passado já não existe. O momento futuro não está ainda nas nos­sas mãos. É a situação, por exemplo, de um passageiro num comboio: para chegar ao seu destino, não tem que andar para a frente e para trás, dentro da carruagem, mas permanecer sentado no seu lugar. Devemos, assim, estar parados no presen­te. O comboio do tempo desloca-se por si. Só podemos amar a Deus no momento presente que nos é dado, pronunciando o nosso “sim” fortíssimo, incondicional, activíssimo à Sua vontade.
Amemos, portanto, aquele sorriso que oferecemos, aquele trabalho que faze­mos, aquele carro que é necessário guiar, aquela refeição que vamos preparar, aquela actividade para organizar, aquela pessoa que sofre ao nosso lado.
Nem a provação, nem o sofrimento nos devem assustar se, com Jesus, soubermos reconhecer neles a vontade de Deus, ou seja, o Seu amor por cada um de nós. Pelo contrário, poderemos rezar assim:
“Senhor, faz com que eu não tenha receio de nada, porque tudo aquilo que acontecer será unicamente da Tua von­tade! Senhor, faz com que não deseje nada, porque nada é mais desejável do que a Tua vontade.
O que é importante na vida? O importan­te é a Tua vontade.
Faz com que eu não desanime com nada, porque em tudo está a Tua von­tade. Faz com que não me exalte com nada, porque tudo é da Tua vontade”.

Chiara Lubich

http://focolares.org.pt/palavra/texto/645-abril-2011

domingo, 20 de março de 2011

Quando entre nós estás

Quando entre nós estás
Tudo em torno se transforma
Mesmo se o inverno vem,
Resplandece sempre o Sol

Tudo parece ouro
A névoa se dilui
E como no Tabor
Tudo se transfigura

Quando entre nós estás
Tudo é sabedoria
Nos transfigura em Ti
Novos
todos nos sentimos

Como discípulos
Plenos de paraíso
Celeste música
E ficar nós queremos

Sempre Contigo, e em Ti entre nós!

                 Gen Rosso

sexta-feira, 11 de março de 2011

Livro: A menina que não sabia ler

Uma menina de 12 anos mora numa propriedade rural com o irmão quatro anos mais novo e os empregados. É órfã e o tio, seu tutor, não permite que ela seja alfabetizada, aparentemente por ter tido problemas com uma namorada que se tornou “letrada demais” e o abandonou.
Após a recusa da governanta em alfabetizá-la, a menina decide tornar-se autodidata e tem êxito. Com a partida do irmão para uma escola, passa horas na biblioteca.
A trama se desenrola em meio a mistérios após a volta do irmão para casa. Aparentemente ele foi considerado inapto para a vida escolar e foi devolvido ao lar com a recomendação de que contratassem uma preceptora. O tio envia uma moça que pouco tempo depois sofre um acidente no lago e morre, tendo como única testemunha a garota.
Vem uma segunda preceptora e a garota se revela uma psicopata obcecada pelo irmão, tendo alucinações acerca dela e, novamente, desfecho trágico.
É uma leitura que prende a atenção, mas o final é um pouco assustador.

Harding, John. A menina que não sabia ler. Ed Leya Brasil, 2010.

terça-feira, 1 de março de 2011

Palavra de Vida: "Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra." (Lc 1,38)

Como fez com Maria, Deus quer revelar também a nós tudo o que Ele projetou para cada um, quer dar-nos a conhecer nossa verdadeira identidade. É como se nos dissesse: “Quer que eu faça de você e de sua vida uma obra-prima? Siga o caminho que estou lhe mostrando, e você se tornará o que você sempre foi e é no meu coração. Pois desde toda a eternidade eu o concebi e amei, pronunciei o seu nome. Quando lhe digo a minha vontade, estou lhe revelando seu verdadeiro eu”.
É por isso que a vontade Dele não é uma imposição que nos oprime, mas a manifestação do seu amor por nós, do seu projeto para nós; ela é sublime como o próprio Deus, fascinante e extasiante como a sua face; é Ele mesmo que se doa. A vontade de Deus é um fio de ouro, uma trama divina que tece toda a nossa vida terrena e a vida eterna; vai desde a eternidade até a eternidade; primeiro, na mente de Deus, depois nesta terra e, enfim, no Paraíso.
Mas, para que o desígnio de Deus possa se cumprir plenamente, Deus pede a minha e a sua adesão, como a pediu a Maria. Só assim é possível que a palavra que Ele pronunciou para mim e para você se realize. Portanto, também nós somos chamados a dizer, como Maria:
“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
É verdade que a vontade Dele nem sempre nos é clara. Como Maria, também nós teremos de pedir a luz para entender o que Deus quer. É preciso escutar bem a Sua voz em nosso íntimo, com toda a sinceridade, aconselhando-nos, se necessário for, com alguém que nos ajude. Porém, uma vez compreendida a sua vontade, queremos dar-lhe imediatamente o nosso sim.
De fato, tendo entendido que a Sua vontade é o que de maior e de mais bonito pode existir na vida, não vamos nos resignar a “ter de fazer” a vontade de Deus, mas vamos nos alegrar por “podermos fazer” a vontade de Deus e seguirmos seu projeto, de modo que o que Ele imaginou para nós se realize. É a melhor coisa que podemos fazer, a mais inteligente.
As palavras de Maria “Eis aqui a serva do Senhor” são, portanto, nossa resposta de amor ao amor de Deus. Elas nos mantêm sempre orientados a Ele, numa atitude de escuta e de obediência, com o único desejo de cumprir a sua vontade, a fim de sermos como Ele quer.
No entanto, às vezes, o que Ele nos pede parece absurdo. Podemos achar que seria melhor agir de outra forma; gostaríamos nós mesmos de segurar as rédeas da nossa vida. Gostaríamos até de aconselhar a Deus, de dizer-lhe o que deve ou não ser feito. Mas se acreditamos que Deus é amor e confiamos Nele, sabemos que tudo o que Ele predispõe, na nossa vida e na de todos os que estão ao nosso lado, é para o nosso bem, para o bem deles. Então nos entregamos a Ele, abandonamo-nos com plena confiança à Sua vontade, desejando-a com todo o nosso ser, a ponto de nos tornarmos um com ela, sabendo que acolher a sua vontade significa acolher a Ele, abraçá-lo, alimentarmo-nos Dele.
Acreditemos que nada acontece por acaso. Nenhum acontecimento alegre, indiferente ou doloroso, nenhum encontro, nenhuma situação de família, de trabalho, de escola, nenhuma condição de saúde física ou moral é sem sentido. Mas tudo – acontecimentos, situações, pessoas – é portador de uma mensagem de Deus; tudo contribui para a realização do desígnio Dele, que vamos descobrindo aos poucos, dia após dia, fazendo a vontade de Deus, como Maria.
“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
De que modo podemos, então, viver esta Palavra? Nosso sim à Palavra de Deus significa, concretamente, fazer bem, na íntegra e a cada momento, a ação que a vontade de Deus requer de nós. Significa fazer essa atividade de corpo e alma, eliminando qualquer outra coisa, renunciando a pensamentos, desejos, lembranças ou ações que se refiram a outra coisa.
Diante de cada vontade de Deus, seja ela dolorosa, alegre ou indiferente, podemos repetir: “Aconteça-me segundo a tua palavra” ou, como Jesus ensinou no pai-nosso: “Seja feita a tua vontade”. Digamos isso antes de cada ação nossa: Aconteça, seja feita. E estaremos compondo, momento após momento, pedrinha após pedrinha, o mosaico maravilhoso, único e irrepetível, da nossa vida, que o Senhor desde sempre imaginou para cada um de nós.
Chiara Lubich


http://www.cidadenova.org.br/PalavraVida/