terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Livro: O velho e o mar

O velho e o mar
Ernest Hemingway

Santiago é um velho pescador que, solitário, diariamente vai ao mar exercer seu ofício de maneira infrutífera. Diz-se que a sorte não está com ele, por isso não consegue pescar.
O velho é admirado por Manolín, um jovem que, por ser menor de idade, teve de abandonar Santiago à solidão do pequeno barco, pois seus pais não permitiram que continuasse a pescar com alguém abandonado pela sorte.
Certo dia o velho Santiago pesca um peixe imenso, que arrasta seu barco durante dias. É uma luta intensa, pois ambos – pescador e peixe – se recusam a abandonar a disputa. O velho Santiago, na sua solidão, afirma que o homem não nasceu para a derrota e, mesmo machucado, não larga o anzol.
Tubarões atacam seu peixe, deixando apenas a carcaça, mas Santiago volta ao porto ostentando sua vitória, afinal, pescou um peixe grande. De volta ao lar, dorme e sonha com leões.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Livro: Dê tempo a si mesmo...

Dê tempo a si mesmo...
É a sua vida

Notker Wolf

Notker Wolf é um beneditino que vive bem o momento presente, com os olhos fixos na eternidade. Escreve com primazia sobre suas experiências e descobertas nesse eterno caminhar entre os homens rumo a Deus.
Nesse maravilhoso livro, discorre sobre o tempo, como tem tentado aproveitá-lo, encarando-o como presente, e, exatamente por entendê-lo como dádiva, busca atribuir a cada coisa e pessoa – inclusive a si mesmo – o verdadeiro valor.
Nesse livro colhi muitas pérolas:
 “A questão é humanizar o tempo”.
“... quando alguém vem falar comigo, eu não consulto o relógio nem tenho pressa”.
“... o tempo da vida não é uma mercadoria, e sim uma dádiva”.
“A vida precisa de tempo. Se não reservo mais tempo algum para mim mesmo, a vida deixa de ter valor”.
“... aquele que vai mal consigo mesmo, para quem poderá ser bom?”
“Conceder algo a si mesmo é indício de um coração vasto, de generosidade e de uma comunicativa e benevolente alegria de viver, que não exclui os outros”.
“Podemos ser bons para nós mesmos e devemos sê-lo também com os outros”.
“A alegria é o mais poderoso antídoto contra o medo”.
“Nossa desgraça não é a morte; o que nos causa desgraça é tentar excluí-la, como se pudéssemos fugir dela”.
“A morte... Não é uma ameaça, e sim um lembrete... Olhe agora para o que realmente tem valor”.
“... tanto faz você ser leão ou gazela, pois quando o Sol se ergue é preciso correr”.
“O ritmo é um fator da vida, e sempre foi observado também como um elemento criador”.
“De que adianta caminhar, se não é pelo caminho correto?”
“... só posso ser flexível a partir de um ponto fixo de observação, ou então me perco”.
“Aqui e lá, simplesmente “estou em casa”... Onde quer que eu chegue, estou em casa”. Embora seja necessário o retorno ao porto seguro vez por outra, para recarregar as baterias e, de novo, estar preparado para a viagem.
“Deveríamos tocar a nossa própria vida em tempos diversos, como uma peça musical. Não só na música, mas também na vida, há um mundo de possibilidades: andante, presto, allegro. Tempos de repouso e relax. E tempos de prestissimo”... “Há um crescendo e um diminuendo. E onde geralmente se improvisa”.
“Pressa e pressão andam juntas”.
“O elemento da liturgia que traz a felicidade é o fato de nos desligarmos das preocupações com o futuro e da prisão no passado, e das intermináveis obrigações do dia a dia”.
“O que há por trás da pressa? Acho que é o medo”.
“... estar totalmente ali”... “Atenção pela metade não funciona”.
“Time is honey”.
“Ter capacidade de esperar e paciência também significam: antes de tudo, saber renunciar alguma vez”... “... frustração e desapontamento fazem parte da vida de todos”.
“... o dia é sempre curto demais para mim”.
“Não concedo a ninguém qualquer poder sobre mim”.
“Aprender a esperar pelos outros é um excelente exercício”.
“Seja bom para o seu corpo, para que a alma tenha prazer em morar nele” (Teresa d’Ávila).
“Só a partir das pessoas e de exemplos cotidianos as crianças aprendem aquilo de que mais precisam: aprendem a viver”.
“O caminho da felicidade sempre acarreta renúncia e perseverança”.
“Quem é grato não é apressado”.
“A convicção de estar nas mãos de Deus me dá uma serenidade básica”.
“... aceito as coisas conforme são e, afinal, a realidade é esta”.
“Que bênção estar satisfeito com a vida que se teve e, em plena paz, poder dizer “Adieu”!”


Notker, Wolf. Dê tempo a si mesmo... É a sua vida. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.  

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Livro: Como um místico amarra os seus sapatos

Como um místico amarra os seus sapatos
O segredo das coisas simples

Lorenz Marti
Editora Vozes

Marti fala sobre a expectativa que muitas vezes temos de que o místico seja um ser quase sobrenatural, que faz as coisas de maneira extraordinária. Então ele perpassa momentos vividos por místicos de religiões diversas e sua observação revela que o que torna o místico um ser surpreendente é o modo como ele realiza as atividades mais corriqueiras, como ele dá sentido àquilo que é normal e corriqueiro no cotidiano do ser humano.
Relembra a afirmação agostiniana de que “O coração inquieto é a raiz da peregrinação”. Aliás, convida a nos tornarmos “gente do caminho”, como eram designados os primeiros cristãos. Evoca um antigo ditado: “Devemos caminhar como peregrinos, livres, despojados e verdadeiramente vazios. Juntar coisas, segurar e agir muito só torna o nosso andar pesado”.
Indica a justa medida do olhar sobre si: “Quando giro em redor de mim mesmo, eu afundo... Não preciso com isso perder a visão de mim mesmo. Mas preciso parar de olhar apenas para mim mesmo”.
Fala da beleza de nos sentirmos sempre no início, ou seja, por mais que tenhamos vivido ou feito ou aprendido, nunca é o suficiente, sempre há muito a fazer e a aprender. “O espírito do principiante é como uma criança pequena que descobre o mundo”.
O espírito do principiante aproxima da criança. Segundo Marti, é preciso aprender a perguntar como criança, com o espírito aberto de fato. Algumas vezes perguntamos, mas como imperador, de cima do trono, com a postura de quem, mais que perguntar, ordena, sabe tudo, pode tudo. “Imperador e criança: ambos convivem em mim... posso aprender a descer do trono da minha prepotência e redescobrir o mundo aos pés de uma criança”.
Ele defende que a espiritualidade é uma declaração de amor ao que é totalmente comum. Às coisas corriqueiras do cotidiano, em geral, não atribuímos valor e, por isso, simplesmente, tentamos fazê-las apressadamente, para liquidá-las. “O importante é que estou envolvido naquilo com todo o meu coração, e não simplesmente “liquidando” algo. E que sei valorizar aquele momento. E que permaneço e não fujo em pensamentos a algum futuro imaginário”.
Algo digno de nota, também, quando se fala em mística e espiritualidade, é, sem dúvida, o fato de não se levar muito a sério. Marti cita o escritor inglês G.K. Chesterton: “Os anjos voam porque não se levam muito a sério, sentem-se leves”.
Finalmente, a importância do outro, afinal “      Minha vida não pode ser separada da vida de outras pessoas, da vida dos animais, das plantas e das árvores. Eu dependo delas e elas precisam de mim... A capacidade de dedicar-se aos outros e cuidar deles é o que torna o ser humano especial”.
Para finalizar, uma pérola de Francisco de Sales: “Proteja-se contra a pressa, a tristeza e o medo”. E ainda a lembrança de que o mundo é como um espelho. Reza a lenda que o fabulista Esopo estava sentado à beira de uma estrada perto de Atenas quando um viajante perguntou-lhe: “Como são as pessoas em Atenas?” Esopo respondeu: “Diga-me primeiro de onde você vem e como são as pessoas de lá”. O viajante falou: “Venho de Argos, onde as pessoas são antipáticas, incorretas e briguentas, por isso fui embora”. Esopo, então, falou: “Que pena, pois em Atenas as pessoas também são assim”. Um pouco mais tarde passou outro viajante, que perguntou a Esopo a mesma coisa. E, quando Esopo lhe perguntou de onde vinha e como eram as pessoas lá, respondeu entusiasmado: “Venho de Argos, onde as pessoas são gentis, abertas e hospitaleiras”. Esopo falou: “Que bom, pois em Atenas as pessoas também são assim”.


Palavra de Vida: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.”

Estas palavras, dirigidas por são Paulo à comunidade de Colossos, revelam a existência de um mundo no qual reina o amor verdadeiro, a comunhão perfeita, a justiça, a paz, a santidade, a alegria; um mundo onde o pecado e a corrupção já não podem ingressar, um mundo onde a vontade do Pai é realizada com perfeição. É o mundo ao qual pertence Jesus. É o mundo que Ele, passando pela dura prova da Paixão, abriu totalmente para nós com a sua ressurreição.
“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.”
Entretanto – como afirma São Paulo – nós não somos apenas chamados ao mundo de Cristo, mas já pertencemos a Ele. A fé nos diz que mediante o batismo nós somos inseridos Nele e, por isso, participamos da sua vida, dos seus dons, da sua herança, da sua vitória sobre o pecado e sobre as forças do mal: nós, de fato, ressuscitamos com Ele.
Mas, diversamente das almas santas que já alcançaram a meta, a nossa pertença a este mundo de Cristo não é ainda plena e manifesta, nem tampouco estável e definitiva. Enquanto vivermos nesta terra estaremos expostos a mil perigos, dificuldades e tentações que podem fazer-nos vacilar, podem frear a nossa caminhada ou até mesmo desviá-la para falsas metas.
“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.”
Compreende-se então a exortação do Apóstolo: “Procurai as coisas do alto”. Isto é, procurai sair deste mundo – não no sentido material mas espiritual – abandonando as regras e as paixões do mundo para deixar-se guiar em todas as situações pelos pensamentos e sentimentos de Jesus. Com efeito, “as coisas do alto” indicam a lei do alto, a lei do Reino dos céus que Jesus trouxe à terra e quer que realizemos desde já.
“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.”
Como viver então esta Palavra de Vida? Ela nos alerta contra a tentação de ficarmos satisfeitos com uma vida medíocre, feita de meias medidas e ambiguidades, e nos estimula – com a graça de Deus – a aderir à lei de Cristo com a nossa vida. Impele-nos a viver e a nos empenharmos em testemunhar no nosso ambiente os valores que Jesus trouxe à terra: o serviço aos irmãos, a compreensão e o perdão, a honestidade, a justiça, a retidão no nosso trabalho, a fidelidade, a pureza, o respeito pela vida, o espírito de concórdia e de paz etc.
Trata-se, como se vê, de um programa vasto quanto a vida; por isso – para não ficarmos apenas em considerações abstratas – procuremos colocar em prática durante este mês aquela lei de Cristo que é a síntese de todas as outras.
De que modo? Reconhecendo o próprio Jesus em cada irmão e irmã e colocando-se a seu serviço. Não é exatamente isso que nos será pedido ao término da nossa existência terrena?

Chiara Lubich

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