domingo, 26 de dezembro de 2010

A tecnologia do abraço

(por um matuto mineiro...)

O matuto falava tão calmamente, que parecia medir, analisar e meditar sobre cada palavra que dizia...
- É... das invenção dos homi, a que mais tem sintido é o abraço.
O abraço num tem jeito di um só aproveitá!
Tudo quanto é gente, no abraço, participa uma beradinha...
Quandu ocê tá danado de sodade, o abraço de arguém ti alivia...
Quandu ocê tá cum muita reiva,
vem um, te abraça e ocê fica até sem graça de continuá cum reiva...
Si ocê tá feliz e abraça arguém, esse arguém pega um poquim da sua alegria...
Si arguém tá duente, quand'ocê abraça ele, ele começa a miorá, i ocê miora junto tamém...
Muita gente importante e letrado já tentô dá um jeito de sabê purquê qui é qui o abraço tem tanta tequilonogia, mas ninguém inda discubriu...
Mas, iêu sei! Foi um ispirto bão de Deus qui mi contô...
Iêu vô contá procêis u qui foi quel mi falô:
O abraço é bão purcausa do Coração...
Quand'ocê abraça arguém, fais marssage no coração!...
I o coração do ôtro é marssagiado tamém!
Mas num é só isso, não... Aqui tá a chave do maió segredo de tudo: É qui, quandu nóis abraça arguém, nóis fica cum dois coração no peito!... "

INTONCE...

UM ABRAÇO PRÔ CÊ!


Pescado em: http://mais.uol.com.br/view/e8h4xmy8lnu8/a-tecnologia-do-abrao-por-um-matuto-mineiro-04023160CC912346?types=A&

sábado, 25 de dezembro de 2010

Feliz Natal!

Ontem, na homilia, Pe. Carlos lembrou que através da encarnação de Jesus Deus quis ser homem, e nós, por que queremos ser Deus? Deus assumiu, para redimir, nossa inteligência, vontade e sentimentos. Porque “o Verbo se carne e habitou entre nós” todas as realidades podem ser transformadas!
Como diria Daniel Fassa: “A celebração do Natal relembra aos povos o extraordinário dia em que Deus entrou na história da humanidade para dar uma resposta definitiva à sua sede de infinito”.
Especialmente nesse dia de intensa luz, com Chiara Lubich “rogamos à Tua onipotência inerme que dobre e apague a arrogância da violência; que arranque dos corações o ódio e injete neles o amor. Que nação alguma no mundo se lembre mais do que é a guerra!”.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

As crônicas de Nárnia – O Peregrino da Alvorada

O terceiro filme baseado na obra de Lewis é capaz de agradar a crianças e adultos.
Uma viagem realizada pelos puros de coração: Lúcia e Edmundo. Pedro e Susana estão crescidos demais para enfrentar essa jornada, não retornam a Nárnia.
Como as demais histórias criadas por Lewis, essa é rica em aventura e para realizá-la é preciso ter coragem e fé.
É recheada de valorosos ensinamentos, como acreditar no próprio valor, não querer ser outra pessoa, acreditar que o outro é capaz de mudar, aceitar o outro como ele é, não ceder à tentação, não sucumbir ao medo.
Ao final dessa linda história, a esperança do céu, que em Nárnia tem outro nome.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

São João da Cruz

João de Yepes nasceu em Fontiveros (Ávila) no ano de 1542. Filho de Gonzalo de Yepes e Catalina Álvarez, teve como irmãos de sangue Francisco e Luís.
Sua infância não foi fácil. Antes mesmo de completar 10 anos de vida, perdeu o pai e o irmão Luís. A família, a procura de melhores condições de sobrevivência, migrou algumas vezes até fixar-se em Medina del Campo. Na adolescência e juventude, dedicou-se aos estudos e ocupou-se como acólito; trabalhou como carpinteiro, alfaiate, pintor, entalhador, office-boy e ajudante de enfermeiro.
No entanto, seu coração desejava trilhar outros caminhos e, em 1563, recebeu o hábito religioso dos Carmelitas, mudando o nome para Frei João de São Matias.
1567 é um ano bastante importante na vida de Frei João de São Matias. Ordena-se sacerdote, celebra a primeira Missa e encontra-se pela primeira vez com Santa Teresa de Ávila.
Sua primeira experiência como carmelita não foi muito positiva. O Carmelo sofria a “crise do burguesismo”, que não favorecia a vida interior. Ao concluir os estudos de Teologia, cogitou a possibilidade de sair do Carmelo e ingressar na Cartuxa, onde teria um estilo de vida mais evangélico e condizente com suas aspirações ascéticas. Mas o encontro com Santa Teresa põe fim a esse dilema de João de São Matias e ao dilema de Teresa de Ávila, que desejava ampliar sua reforma também aos conventos masculinos do Carmelo, e “procurava” o monge que correspondesse a esse ideal.
No ideal proposto pela Madre Teresa..., Frei João vê a síntese ideal entre contemplação e atividade. Será um discípulo dócil na escola de Teresa, acolhe com amor as intenções da Madre, aprende o novo estilo de vida: oração, mortificação, solidão, que favoreçam um clima de liberdade interior, uma intensa vida comunitária animada pela alegria do recreio fraterno. No ambiente carmelitano, João dá o melhor de si mesmo, e recebe a formação necessária para dar início à reforma entre os frades” (Fr. Patrício Sciadini, introdução das Obras Completas de São Joào da Cruz).
É assim que, aos 23 anos de vida, “transforma-se” em Frei João da Cruz, o “sócio” de Madre Teresa na reforma carmelitana.
São João da Cruz é um místico amadurecido no sol do sofrimento, provado por Deus através de noites da fé; não compreendido pelos homens. O que ele diz traz o carimbo da experiência pessoal, não se deixa influenciar com facilidade pelas circunstâncias ou se amedrontar diante de um futuro que aparece grávido de sofrimentos ... É na monotonia da vida, nas feridas abertas pelas incompreensões, que desabrocha a santidade do primeiro Carmelita Descalço, severo e exigente consigo mesmo, terno e delicado com os que o circundam” (ibid).
Foram as incompreensões que o fizeram duas vezes prisioneiro dos Carmelitas Calçados. Da primeira vez os Calçados de Ávila o levaram a Medina, mas logo foi libertado por intervenção do Núncio. Em 1577, na noite do dia dois de dezembro, foi retirado violentamente de “sua casinha da Encarnação de Ávila e levado ao convento dos Calçados de Toledo, onde ficou recluso no cárcere conventual durante oito meses; ali compôs seus primeiros poemas místicos.
Esse homem de pequena estatura, apelidado de “meio homem”, revelou-se, na verdade, um gigante da mística. Ele, que declarou: “Em mim eu não vivo já, e sem Deus viver não posso; pois sem ele e sem mim quedo, este viver que será? Mil mortes se me fará, pois minha mesma vida espero, morrendo porque não morro. Esta vida que aqui vivo é privação de viver; e assim, é contínuo morrer até que viva contigo. Ouve, meu Deus, o que digo, que esta vida não a quero pois morro porque não morro” (Obras p. 40).
Os apaixonados por Deus, certamente, com João da Cruz já clamaram: “Extingue os meus anseios, porque ninguém os pode desfazer; e vejam-te meus olhos, pois deles és a luz, e para ti somente os quero ter. Mostra tua presença! Mate-me a tua vista e formosura; olha que esta doença de amor jamais se cura, a não ser com a presença e com a figura”.
Depois de uma vida preenchida com os “afazeres” divididos e conciliados entre as atividades próprias do Carmelo e viagens para fundação e acompanhamento dos conventos dos Descalços e escritos, o ano de 1591 se lhe apresenta como um tempo de dores particulares. Sai do Capítulo de Madri, em junho desse ano, sem nenhum cargo; o abandono e uma surda perseguição caem sobre ele. Em agosto, nele aparecem “umas pequenas calenturas” que nunca cedem. Até que no dia 14 de dezembro morre santamente em Úbeda, aos 49 anos de idade. Em 1593, seu corpo foi trasladado para Segóvia, onde se encontra até hoje.
No dia 25 de janeiro de 1675, foi beatificado pelo Papa Clemente X. O Papa Bento XIII o canonizou no dia 27 de dezembro de 1726. Aos 24 de agosto de 1926, Pio XI o proclamou Doutror da Igreja. No dia 21 de março de 1925, foi proclamado Padroeiro dos poetas espanhóis.
Ouçamos o conselho que esse grande mestre de espiritualidade lança aos que, realmente, desejam acertar na busca da Vontade do Senhor: “Não faça coisa alguma, nem diga palavra alguma, que Cristo não faria ou não diria se se encontrasse nas mesmas circunstâncias de você, e tivesse a mesma saúde e idade suas ... Nada peça a não ser a cruz, e precisamente sem consolação, pois isso é perfeito ... Renuncie aos seus desejos e encontrará o que o seu coração deseja.” (Sgarbossa e Giovannini; 1996: pp.401-402).

Bibliografia:
João da Cruz, São. Obras completas. 2ª ed. Petrópolis: Vozes e Carmelo Descalço do Brasil, 1988.
Sgarbossa, Mario e Giovannini, Luigi. Um santo para cada dia. 4ª ed. São Paulo: Paulus, 1996.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O relacionamento dos pais com a escola

A segmentação da pessoa humana e da sociedade levou a uma cisão entre as pessoas e as instituições. Assim, aquilo que antes era complementação e reciprocidade foi tomando distância. A escola, que antes era responsável basicamente pela transmissão dos conhecimentos sistematizados ao longo da história humana foi tomando o papel que cabe à família: transmitir a ética, os valores, cuidar da saúde, prover alimentação...
A educação é responsabilidade, em primeiro lugar, da família. É evidente que a escola, ao transmitir os conhecimentos sistematizados, o faz segundo o conjunto de valores que elegeu para si. Isso faz com que sua filosofia e ética sejam transmitidas também. Não é verdade que se aprende mais pelo exemplo do que pelas palavras?
Portanto, não é qualquer escola que serve para qualquer criança, adolescente ou jovem. Hoje, devido ao imenso corre-corre em busca da sobrevivência, muitos pais escolhem a escola onde matricular seus filhos de acordo com o quesito tempo: aquela que é mais próxima de casa ou da empresa... Mas essa escolha deve ser levada muito a sério e há mais aspectos a observar que o tempo que se gasta para lá chegar.
Há pais que são católicos e matriculam os filhos numa escola protestante. Não se trata de uma “briga religiosa”, mas de doutrinas e visões de mundo que são diferentes. Outros que não são católicos, matriculam seus filhos em escolas confessionais e não querem participar do que a escola oferece. Outros que, sendo profissionais da educação, dizem que seguem uma linha de trabalho mas seus filhos estudam em escolas que seguem outra linha. Que contradição!
Pode parecer banal, mas o choque de conceitos é sério. Imagine uma criança que em casa é educada para a cultura do perdão e na escola as contendas são resolvidas segundo o revide (bateu, levou). Como fica a cabeça dela? Que valor vai consolidar?
É por isso que, antes de matricular os filhos, os pais devem visitar a escola, conversar com diretores, coordenadores, professores, funcionários, alunos; ver um pouco da atividade destes em sala e no recreio a fim de identificarem a concepção teórica de educação e como isso se dá na prática. Só então, certos de que compartilham os mesmos valores, deverão efetuar a matrícula dos filhos nessa instituição.
Depois da matrícula não acaba o papel dos pais. Eles devem acompanhar a vida escolar dos filhos, interessando-se para saber o que aprenderam, o que aconteceu de novidade a cada dia, comparecendo às reuniões e às festas, ajudando nas tarefas de casa, conversando com os professores quando houver qualquer dúvida ou necessidade, enfim, sentindo-se co-responsáveis pela vida estudantil de seus filhos.
Nos últimos anos tem havido no Brasil campanhas no sentido de levar a família para dentro da escola. Isso é fundamental! Como eu disse antes, a educação é responsabilidade, em primeiro lugar, dos pais. É curioso como alguns pais entregam o filho à professora como se lhe dessem o papel também da maternidade, permitindo, inclusive, bater nele como forma de corrigi-lo. Ainda acontece isso! E, porque os pais não levam os filhos para o oculista, dentista ou pediatra, a escola tem desempenhado este papel que não lhe compete: tira a criança da sala de aula e a leva para o posto de saúde para que receba esses cuidados.
É preciso que cada pai e cada mãe tenha claro o seu papel e o papel da escola. Esta não existe para substituir, mas para ajudar, acrescentar, enriquecer o da família. Assim, de braços dados, como parceiros, colaboradores e não opositores ou substitutos, a educação se dará da forma como deve ser. Quem ganhará com isso será a sociedade inteira, esta e a que virá.


Artigo publicado na Shalom Maná n.119

Educar para a doação

Existe ainda, infelizmente, em nossa sociedade a intenção de deixar a educação dos filhos a cargo da escola, porque os pais estão sempre ocupados, demasiado preocupados em ganhar muito dinheiro para dar-lhes uma vida cômoda. No entanto, a família é a instituição que deve velar para que a educação aconteça de fato, não apenas através de aquisição de informações, mas da formação de hábitos e valores. E isso acontece através do contato e da presença real dos pais, que conversam com os filhos sobre o que assistem na televisão – e tomam cuidado com o que vêem na televisão –, que dialogam sobre a mensagem das histórias lidas, interessam-se pelo que viveram e aprenderam durante o dia etc.
A educação requer uma dose incalculável de amor, mas um amor consciente e maduro, que proporciona muito afeto e cuidado, mas que é também capaz de impor limites, regras e de dizer não. Um amor que compreenda o filho não como uma extensão dos pais, mas uma pessoa única e irrepetível, que deve ser amada pelo que é e não pelo que faz ou possa vir a fazer, e que tem uma vida que não pode ser vivida pelos outros. Os pais devem, diariamente, exercitar-se a não querer possuir o filho, mas a criá-lo.
O principal objetivo da educação é ajudar o filho a ser um dom para os outros, esta é a meta a ser alcançada, pois são capazes de doar-se aqueles que têm uma personalidade íntegra, independente, criativa, original, capaz de orientar, sustentar e planejar.

A “supermãe” e o “superpai”
A insegurança da mãe e do pai, bem como a redução da prole – que hoje, em geral, não passa do terceiro filho, quando muito –, fazem com que desponte o problema da “superproteção”. Pensando que ajudam, os pais satisfazem o menor desejo do filho e o substituem em atividades que lhe caberia, como guardar os brinquedos depois de uma “jornada” de brincadeira, arrumar a própria cama ao levantar-se, pegar um copo de água enquanto assiste à televisão etc, às vezes chegam a resolver as atividades que o filho traz do colégio.
“Perseguem” a criança por medo de que algo de ruim aconteça: “Não suba a escada”; “Não ande descalço”; “Não pegue na areia”; “Não coloque a mão na boca”... Esquecem-se de que as dificuldades e os perigos fazem parte do dia-a-dia, e farão até o último dia da existência humana. Superprotegendo, tornam o filho incapaz de enfrentar essas dificuldades e as que virão; o filho acostumado à superproteção, ou fugirá dos problemas, sem resolvê-los, ou chamará sempre alguém para ajudar, porque não desenvolveu capacidades como originalidade, criatividade e iniciativa. Terá dificuldades em orientar-se sozinho, fazer escolhas, porque foi acostumado a obedecer passivamente aos comandos maternos ou paternos: “Cuidado para não se queimar; vista o casaco para não se resfriar; cuidado com as suas amizades...”.
Prejuízo ainda maior, conseqüência da superproteção, é a atrofia da capacidade de viver em doação mútua. Porque, se o pai, ou a mãe, concede, faz e ordena tudo, não há espaço para a generosidade, o altruísmo, a autonomia. Infelizmente, o filho exigirá cada vez mais receber, esperará sempre mais passivamente e não experimentará a alegria que existe no dar, no servir, no sair de si. Egidio Santanchè, pediatra e pedagogo italiano, diz a esse respeito que os pais “devem cortar efetivamente o cordão umbilical logo nos primeiros anos de vida do filho, alegrando-se por ele viver em um espaço independente, separando-se e até se opondo a eles... Os perigos serão muito maiores se o filho estiver despreparado e ‘pela metade’...devido às contínuas interferências, aos conselhos enfadonhos, além daquelas acusações de ‘olhe tudo o que, com sacrifício, faço unicamente para você’” (1).

Verdade ou mentira?
Segundo a Unesco, a família é a “primeira comunidade natural de acolhida e desenvolvimento do homem ... é realmente a família quem preserva e transmite os valores” (2), portanto, se os pais querem evitar que seu filho seja engolido pelos contravalores difundidos nesta sociedade secularizada, devem viver numa atmosfera de fidelidade aos valores em que acreditam e educar na verdade e para a verdade. Nunca se deve dizer inverdades ao filho! “Se às vezes não for possível transmitir conceitos difíceis, as coisas devem sempre ser ditas com um fundo de verdade, a ser completado no decorrer dos anos” (3). Mentir, jamais.
No século passado, difundiu-se um método pedagógico de obter obediência e submissão, que perpetua até hoje: o medo, a custas de mentira. Por exemplo, “Se você não tomar a sopa, o lobo mau vem e come você”; “Se você mentir, seu nariz vai crescer”; “Se você apontar, vai crescer uma verruga no seu dedo” e assim por diante.
O relacionamento entre pais e filho deve ser embasado na verdade. Usando a autoridade que lhe é própria, envolvida de amor, compreensão e respeito, os pais devem ensinar o que desejam e é preciso que ensinem aos filhos, mas não sob mentiras. É o hábito da verdade, de ambos os lados, que dá ao filho a coragem de, por exemplo, levantar-se na sala de aula e reconhecer publicamente um erro que cometeu, bem como de, em casa, dizer abertamente a verdade – por mais dolorosa que seja –, assumindo a responsabilidade pelos seus atos, em vez de esconder-se em cômodas mentiras.
Uma questão importante a ser lembrada, é que não se deve tentar transmitir algo que não parta de uma verdadeira convicção e de uma experiência de vida comprovada, pois o filho “capta” muito mais o exemplo que a palavra verbalizada ... “nenhum filho acredita no que lhe é dito se quem educa não vive de maneira evidente e contínua aquilo que propõe. No fundo, os filhos imitam as atitudes, seguem mais o exemplo que os sermões e os bons conselhos” (4).

O numinoso
Outro aspecto que não pode ser esquecido na educação dos filhos é a visão sobrenatural. É importante saber dar ao filho o mundo “que não se vê”, o único verdadeiro.
A sensibilidade ao divino é bastante forte na infância, mas muitas vezes essa graça se perde por falta de “tato” da parte dos pais, que não valorizam nem “viajam” nessa luminosa aventura com seu pequenino.
É necessário que se crie uma atmosfera de alegria na vivência da fé, e essa vivência não se dá falando de Jesus a toda hora, mas permitindo que sua mentalidade, isto é, o Evangelho, esteja subjacente a cada ação familiar. É muito fácil apresentar aquele Jesus que se encontra estampado nos “santinhos”, mas esse não é o chamado da família. O Jesus verdadeiro “se constrói momento a momento; Ele penetra cada atividade, cada palavra e requer uma preciosa (do ponto de vista psicológico) renúncia ao nosso comodismo. Por isso, não deve ser instrumentalizado com o fim de obter facilmente a obediência ou para justificar a leitura do jornal ... Se entre os pais existe uma atmosfera perceptível de amor recíproco, pode-se dizer que Jesus vive efetivamente em meio a eles” (5).

Gostaria, portanto, de finalizar com as palavras de Santanchè, que lucidamente explica o sentido da verdadeira educação: “Deixar de viver apenas para si mesmo e viver em função de alguém. O amor por outras pessoas é o verdadeiro fator de crescimento”.

Notas bibliográficas:

(1)Santanchè, Egidio. O mundo desconhecido das nossas crianças. São Paulo: Cidade Nova, 1994.

(2)Baggio, Antonio Maria. A família num mundo em transformação. Cidade Nova, n.7/1992, São Paulo: Cidade Nova.

Philippe, Mari-Dominique. No coração do amor. São Paulo: Paulinas, 1997.

(3) Santanchè, Egidio. O mundo desconhecido das nossas crianças. São Paulo: Cidade Nova, 1994.

(4)Ibidem.

(5)Ibidem.


Artigo publicado na Shalom Maná n.91

A televisão e a educação

A educação é um processo contínuo na vida do ser humano. Esse processo tem como objetivo “guiar o homem no desenvolvimento dinâmico, no curso do qual se constituirá como pessoa humana – dotada das armas do conhecimento, do poder de ajudar e das virtudes morais – transmitindo-lhe ao mesmo tempo o patrimônio espiritual da nação e da civilização às quais pertence e conservando a herança secular das gerações” (1).
Não é, pois, difícil intuir a influência que a televisão exerce nesse processo, dado que ela não é um eletrodoméstico a mais em nossa casa. “A televisão é um eletrodoméstico que fala, que transmite lições, que propõe casos para imitar, que difunde modos de cultura. Exerce influência por osmose, quase imperceptível a quem se lhe entrega passivamente” (2). E é imenso o tempo que se gasta diante da “telinha”; pesquisas revelam que crianças entre seis e 11 anos passam cerca de 25 a 30 horas semanais diante da TV.
Isso é preocupante porque, além do excessivo tempo de exposição aos programas de TV, a assimilação, o aprendizado por esse veículo se dá bem mais rapidamente e em maior quantidade de informações, porque se utiliza as capacidades audiovisuais em conjunto. Aprende-se sem grandes esforços. O subconsciente encarrega-se de assimilar a maior parte do conteúdo transmitido. Assim, o aprendizado se dá de maneira acelerada e mais prazerosa. O problema é o que se aprende, visto que a televisão contribui tanto para a educação quanto para a “deseducação” do ser humano.

As influências positivas da TV
A televisão, “se ‘ingerida em pequenas doses’ poderia ser uma ajuda preciosa, pois ela seria dominada, limitada, discutida e elaborada” (3). O uso da TV, portanto, se acompanhado pelos pais, que selecionem os programas e discutam seus conteúdos com os filhos, pode apresentar efeitos positivos.
Um desses efeitos é a veiculação da informação. É fascinante obter notícias e documentários de todas as partes do mundo através do som e da imagem! Informações acerca dos mais diversos assuntos: música, esportes, entretenimento, economia, política, sociedade...
Outro efeito é tornar o mundo “pequeno”, os seres humanos mais próximos. Diante das cenas transmitidas das mais diversas partes do mundo, tem-se a impressão de que, de fato, nosso planeta é uma grande “tribo” colorida que gira nesse imenso universo; somos, portanto, todos irmãos. A beleza do outro não me ameaça, antes enriquece-me; sua alegria é minha, bem como sua dor me faz sofrer.
A televisão também proporciona lazer. É possível – infelizmente nos canais abertos não é tão possível assim – escolher um bom programa e divertir-se sem sair de casa, a família toda reunida, com a pipoca e o refrigerante à mão...
A TV, portanto, se bem gerida, proporciona cultura, engrandecimento da pessoa humana.

As influências negativas da TV
Quando mal empregada, a televisão pode se tornar nociva. Pode, por exemplo, comprometer aspectos indispensáveis ao saudável desenvolvimento infantil, como a curiosidade, a iniciativa e a atividade física. “A criança que assiste demais à televisão – às vezes até tarde da noite, sem critério algum – corre o risco de ter a curiosidade e a sede de conhecer reduzidas ao desfrutamento passivo de estereótipos distantes do mundo infantil” (3). No tocante à atividade física, em linhas gerais, movimentar o corpo é indispensável para a aquisição de todos os pré-requisitos para a aprendizagem escolar, como a lateralidade e a estruturação espaço-temporal. No entanto, hoje é grande a preocupação com o alto índice de crianças e adolescentes obesos, que não fazem qualquer atividade física, não praticam esportes, antes “ocupam” o tempo diante da TV, comendo balas, doces, sanduíches e refrigerantes.
O excessivo e sem critérios uso da televisão pode causar também defasagem no rendimento escolar, posto que, habituados que se tornam às respostas prontas, à lei do menor esforço, desinteressam-se pelos jogos e atividades escolares, que requerem dinâmica, criatividade e esforço. Se a escola for tradicional também é problema, pois a tecnologia e as cores da TV ofuscam a rotina da escola.
Pior que tudo isso, é a influência sobre os valores. Desde cedo – muitas vezes mesmo nos programas preparados para as crianças – elas aprendem o triunfo da esperteza, do furto, do ganho fácil; aprendem a discriminar pela cor, etnia, credo ou classe social, ou seja, a não valorizar o diferente; aprendem que os fortes vencem os fracos, os grandes derrotam os pequenos; que as leis podem ser burladas desde que ninguém esteja olhando e muitos outros contravalores.
Antigamente – não faz muito tempo – identificava-se, nos desenhos animados, o bem do mal porque os personagens do bem eram bonitos, coloridos, de voz doce e temperamento meigo, e os do mal eram monstrinhos.
Hoje, porém, até os personagens do bem vêm em forma de monstros e brigam entre si. Um exemplo disso é o desenho japonês Pokémon, campeão entre a garotada. Minha irmãzinha de seis anos, infelizmente, não escapou da febre Pokémon. Um dia, assistindo a um episódio com ela perguntei-lhe: “Quem é do bem e quem é do mal?”, ela disse-me que ambos eram do bem. Eu fiz nova pergunta: “Por que o bem precisa brigar contra si, não é mais lógico brigar contra o mal?”, mas ela acha a coisa mais natural do mundo: “É porque eles precisam das insígnias”. Mas justifica brigar contra os bons?, perguntei insistente. Ela, para finalizar a “discussão”, disse: “É porque tem de ser assim mesmo e pronto”. Nessas últimas férias, fui com ela ao cinema e fiquei indignada dela ter gostado mais do filme Pokémon do que do Caminho para El Dourado.
Aos poucos, os pequenos acostumam-se e modelam-se – linguajar, roupas, comportamentos, mentalidades, valores... – segundo a ditadura televisiva.

Como usar a televisão
O jornalista italiano Pascale Iónata (5) aponta algumas sugestões sobre como usar a televisão de modo que não prejudique, mas auxilie na educação da criança:
- Ajudar as crianças a escolherem os programas mais adequados para elas e assisti-los em sua companhia;
- Falar com as crianças sobre os programas de TV pelos quais elas têm mais interesse e escutar seus comentários;
- Combinar com elas quanto tempo se pode dedicar à TV; e não permitir TV em seus quartos;
- Evitar que vejam TV antes de irem à escola;
- Evitar que fiquem diante da TV até o momento de ir dormir (especialmente quando se tratar de programas emocionantes);
- Evitar que o televisor esteja ligado durante as refeições;
- Evitar a utilização da TV como babá;
- Não usar a privação da televisão como castigo;
- Desencorajar o uso do controle remoto para realizar um multiprograma;
- Evitar que façam os deveres de casa diante da TV;
- Ter atenção aos aspectos sanitários do relacionamento com a TV (hábito de comer fora de hora das refeições, ficar em posições incorretas, ambiente escuro, aproximação do vídeo etc.);
- Proporcionar às crianças programas alternativos à TV, motivando-as a jogar, ler, conviver com outras pessoas;
- Dar o bom exemplo.
Enfim, é preciso “trancar o televisor no armário e fazê-lo funcionar em períodos limitados, não lhe permitindo dominar a situação”(6).

Notas bibliográficas:
1. BRANDÃO, Carlos, R. O que é educação. 33 ed. São Paulo: Brasil, 1995, p. 65.
2. BETTENCOURT, Estêvão. A “senhora” televisão. Pergunte e responderemos. Ano XXX, n. 323, abr/1989, p. 81, Rio de Janeiro: Lumen Christi.
3. SANTANCHÈ, Egidio. O mundo desconhecido das nossas crianças. São Paulo: Cidade Nova, 1994, p. 19.
4. Ibidem, p. 22.
5. IÓNATA, Pascal. A hipnose da televisão. Cidade Nova, ano XXXV, n. 4, abr/1993, pp. 10-12, São Paulo: Cidade Nova.
6. SANTANCHÈ, Egidio. O mundo desconhecido das nossas crianças. São Paulo: Cidade Nova, 1994, p. 28.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Festum omnium sanctorum

No dia primeiro de novembro a Igreja Católica celebra a “festa de todos os santos”. Diversas denominações cristãs também a festejam, embora em outras datas. Mas o que significa esse dia grandioso para quem tem a fé cristã? Significa que todos os batizados são chamados à santidade, que não consiste – como muitos pensam equivocadamente – em fazer coisas extraordinárias e milagres, mas em ser coerente com o que reza a fé. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, no final seremos salvos pelo seguimento da consciência, obviamente orientada pela e para a Bondade, a Beleza e a Verdade.
Algumas palavras são, podemos dizer, chaves no caminho da santidade. A primeira, obviamente, é o amor. Ele está no topo da lista dos preceitos cristãos. No decálogo é o primeiro que aparece: “Amarás o Senhor teu Deus, com todo teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6,5).
E posteriormente Jesus o ratifica e amplia, quando alguém lhe pergunta qual é o maior mandamento e Ele responde: “Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças. E o segundo mandamento é este: ama o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,30-31).
Vale falar que o amor não é apenas sentimento, tantas vezes é possível amar mesmo não sentindo afeto. Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, ensinava seus filhos espirituais a seguir constantemente a regra de ouro: “Fazei aos outros o que gostaríeis que eles vos fizessem." (Mt 7,12). Essa é, sem dúvida, a melhor forma de exercitar o amor.
Uma palavra que merece destaque também é a coerência. Essa palavra se coloca como um imenso desafio. Como o grande Paulo escreveu, tantas vezes “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rm 7,15). Mas devemos estar sempre com os olhos no alvo, na busca de nos assemelharmos a Ele, e, embora constantemente caiamos, incessantemente necessitamos recomeçar. É isso o que conta.
Outra palavra importantíssima é a alegria. Sobretudo os que não têm ou jamais tiveram uma “militância igrejeira” tendem a imaginar que os santos sejam pessoas reservadas, tristes, melancólicas. Porém, quando lemos a história dos que foram reconhecidos oficialmente como santos – ou seja, foram canonizados – encontramos pessoas inteiramente iguais a nós, com as dores e gozos, e é muito comum terem um senso de humor refinado. Portanto, ser alegre é emblemático, afinal, Deus é a felicidade indelével, a única que nada pode roubar.
Para finalizar, deixo uma frase que Chiara Lubich difundia entre nós: “Sarò sant@ se sono sant@ subito” (Serei sant@ se for sant@ agora). Portanto, é nas pequenas coisas do cotidiano que vamos nos santificando, não deixando para amar amanhã, mas hoje; não daqui a pouco, mas agora.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Teresa de Jesus


Nada te perturbe, nada te espante,
tudo passa,
Deus não muda,
a paciência tudo alcança;
quem a Deus tem, nada lhe falta:
só Deus basta.
Eleva o pensamento, ao céu sobe,
por nada te angusties,
Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue com peito grande,
e, venha o que vier,
nada te espante.
Vês a glória do mundo?
É glória vã; nada tem de estável,
tudo passa.
Aspira às coisas celestes, que sempre duram;
fiel e rico em promessas,
Deus não muda.
Ama-O como merece, Bondade imensa;
mas não há amor fino
sem a paciência.
Confiança e fé viva mantenha a alma,
que quem crê e espera
Tudo alcança.
Do inferno acossado muito embora se veja,
burlará os seus furores
Quem a Deus tem.
Advenham-lhe desamparos, cruzes, desgraças;
sendo Deus o seu tesouro,
Nada lhe falta.
Ide, pois, bens do mundo,
Ide, ditas vãs;
ainda que tudo perca,
Só Deus basta.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil

      A doce mãe de Deus e nossa é venerada sob diversos títulos. Hoje a saudamos especialmente como Virgem Aparecida.
Pouco se sabe das origens dessa bela imagem, porém acredita-se que tenha sido talhada pelo monge beneditino paulista, Frei Agostinho de Jesus. Também não se sabe como foi parar nas águas. O que é conhecido é que em meados de outubro de 1717 três pescadores – Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves – que lançavam as redes no rio Paraíba (SP) encontraram a imagem, que tinha cabeça e corpo separados. Eles não conseguiam pescar, mas após o resgate da imagem, os peixes vieram em abundância.
Um dos pescadores, Filipe Pedroso, levou a imagem para casa e muitos acorreram a ela, tendo graças alcançadas. A devoção foi crescendo e o lugar tornou-se pequeno para tantos fiéis que ali se dirigiam.
Em 1734 começou a ser erigida uma capela em honra da santa, que também se tornou pequena para congregar os devotos e a construção de um templo maior foi iniciada em 1834.
A devoção a Maria sob esse título crescia vertiginosamente e em 1929 o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Rainha do Brasil e sua Padroeira oficial.
Como diria o querido Pe. Carlos Hernandez, “Mãe Aparecida, aparece em nossas vidas e lembra-nos de que ser filho é seguir as pegadas de Cristo”.

Vale a pena ler: Brustoloni, Pe Júlio J. A mensagem da Senhora Aparecida. Aparecida-SP: Santuário, 1994.

Oração de Consagração a Nossa Senhora Aparecida

Ó Maria Santíssima, que em vossa querida imagem de Aparecida espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil, eu, embora indigno de pertencer ao número dos vossos filhos e filhas, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado a vossos pés, consagro-vos meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis.
Consagro-vos minha língua, para que sempre vos louve e propague vossa devoção.
Consagro-vos meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas.
Recebei-me, ó Rainha incomparável, no ditoso número de vossos filhos e filhas.
Acolhei-me debaixo de vossa proteção. Socorrei-me em todas as minhas necessidades espirituais e temporais e, sobretudo, na hora de minha morte.
Abençoai-me, ó Mãe Celestial, e com vossa poderosa intercessão fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda a eternidade.
Assim seja!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Comer, rezar, amar

Assisti ao filme Comer, rezar, amar (Eat, pray, love) e gostaria de compartilhar minhas despretensiosas impressões.

Baseado no livro autobiográfico homônimo, no qual a escritora Elizabeth Gilbert conta um momento específico de sua vida.
A personagem principal da história é uma mulher que não sabe “rimanere da sola”. Está sempre acompanhada, como ela mesma fala, “namorando ou terminando os namoros”, mas na verdade não sabe amar. Perde-se nos companheiros, praticamente transformando-se neles e isso, evidentemente, não a deixa feliz – e a eles menos.
Casada há oito anos, dá-se conta de que ela e o marido não compartilham os mesmos sonhos. Ela quer viajar e ele voltar a estudar. Em crise, sem coragem de revelar o que sente, deseja falar com Deus, mas não também não sabe como.
Decide, então, separar-se, e viajar durante um ano. Seu primeiro destino é Roma – lembrei-me da maravilhosa Adélia Prado, que diz: “Não quero faca nem queijo, quero é fome!” –. Deseja aprender o idioma e deslumbrar-se, encher a alma de beleza. À medida que come, reencontra o apetite pela vida. Mas, ainda não se conhecendo o suficiente, não sabe qual é a palavra que a define.
Satisfeita, vai à Índia, em busca do numinoso – lembrei-me de Teresa d’Ávila, que diz: “Alma, buscar-te-ás em mim e a mim, buscar-me-ás em ti” –. Liz não sabia buscar a Deus em si, então foi à Índia, aprender a meditar e encontrar-se consigo, deparar com seus fantasmas e aprender a perdoar-se. Vai conhecendo pessoas e se dando conta de que seus dramas são pequenos diante de tantos outros, mas nem por isso indignos de atenção. Não obteve muito sucesso, mas me parece que ela estava mais em busca de si do que de Deus.
Vai, por fim, a Bali, em busca de equilíbrio. Encontra o amor, mas o rejeita, até dar-se conta de que “o equilíbrio, muitas vezes, consiste exatamente em se deixar desequilibrar” e, finalmente, descobrir sua palavra: “attraversiamo”.
Assim, tendo comido em Roma, rezado na Índia e amado em Bali, na verdade o que ela mais lucrou foi uma nova forma de ver o mundo. Conheceu novos amigos, estabeleceu laços fortes e aprendeu a generosidade.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Francisco de Assis

"Piangendo Francesco,
disse un giorno a Gesù:

Amo il sole, amo le stelle,
amo Chiara e le sorelle,
amo il cuore degli uomini
amo tutte le cose belle.

O mio Signore mi devi perdonare
perché te solo io dovrei amare.


Sorridendo il Signore
gli rispose così:

Amo il sole, amo le stelle,
amo Chiara e le sorelle,
amo il cuore degli uomini
amo tutte le cose belle.

O Francesco non devi piangere più,
perché io amo ciò che ami tu."


Giovanni Francesco Bernardone nasceu em 1182, em Assis (Itália). Filho de um rico comerciante, levava uma vida de conforto e despreocupação com as coisas do alto. Porém, tendo participado da disputa entre Assis e Purugia, esteve prisioneiro durante um ano e esse fato mudou profundamente sua vida. Na prisão, ouviu o chamado de Deus: “Francisco, restaura minha igreja”. Interpretando o chamado ao pé da letra, ao sair da prisão começou a restaurar o templo dedicado a São Damião, que estava em ruínas.
Todavia, a voz de Deus foi se fazendo mais clara, até que entendeu que deveria pregar o Evangelho a toda criatura. Desposou a “dama pobreza”, congregou alguns irmãos que se sentiam chamados a dar seguimento ao “caminho” iniciado por ele e assim nasceu a Ordem Franciscana, que tem gerado incontáveis frutos de santidade ao redor do mundo.

Vale a pena ler: Larranaga, Ignácio. O irmão de Assis. 17 ed. São Paulo: Paulinas, 2007.

domingo, 3 de outubro de 2010

Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

Sou devotíssima de São Miguel Arcanjo e, para minha surpresa, este artigo que escrevi há alguns anos para a Revista Shalom Maná tem sido bastante divulgado na web. Causa-me enorme alegria e por isso abro esse blog com ele.



Em hebraico (mal'ak) e em grego (ánghelos), anjo significa "enviado", "mensageiro", ou seja, "missionário de Deus".
Sabemos - por ensinamento de Santo Tomás de Aquino, o "Doutor Angélico" - que os anjos se dividem em três hierarquias, cada uma composta por nove coros. A terceira hierarquia, composta pelos serafins, querubins e tronos, é a mais "privilegiada", os anjos que a compõem vivem ao redor do trono de Deus, contemplando sua glória e cantando seus louvores. Pela luz que é comunicada a eles, vinda do trono de Deus, são instrumentos de aperfeiçoamento das demais hierarquias.

Os anjos da segunda hierarquia povoam os espaços celestes (cf. Ef 6,12). Encontram-se entre o céu e a terra. Ajudam a melhor governar o mundo e combatem as hierarquias infernais. São, portanto, grandes defensores da humanidade. Essa hierarquia é composta pelas dominações, virtudes e potestades.

A primeira hierarquia é composta pelos principados, arcanjos e anjos, que vivem na terra, ao lado dos homens. Os arcanjos são aqueles a quem Deus confia missões extraordinárias da fé e revelações de realidades acima da compreensão humana. Nesse coro encontram-se São Miguel, cujo nome significa "Quem como Deus?" (cf. Ap 12,10), São Rafael, "Deus cura" (cf. Tb 5,4) e São Gabriel, "Força de Deus" (cf. Lc 1,26), cujas festas eram celebradas a 29 de março, a 24 de outubro e a 24 de março respectivamente. Mas o novo calendário reuniu em uma só celebração a festa destes arcanjos, no dia 29 de setembro. Esta data foi escolhida por corresponder à da consagração a igreja dedicada a São Miguel, no século V, a seis milhas da via Salária.

São Miguel

São Miguel, antigo padroeiro da sinagoga, é agora padroeiro de toda a Igreja católica. Chefe dos arcanjos, é a figura angélica mais nobre das Sagradas Escrituras.
Foi cultuado desde os primeiros séculos da história do cristianismo. É venerado por sua coragem no momento da queda dos anjos, em que Lúcifer seduziu um terço dos anjos do céu e, ao querer tomar o trono de Deus, veio Miguel, liderando os dois terços que permaneceram fiéis a Deus, e expulsou satanás e seus anjos decaídos (cf. Ap 12,7-9).

Miguel protege o povo eleito (cf. Dn 10,13), combate contra satanás (cf. Ap 12,7ss), no juízo universal intervirá em favor do povo de Deus (cf. Dn 12,1-2).
Célebre e muito antigos são os santuários a ele consagrados em Puglia (Itália, 491) e em Mont- Sant-Michel (França). Em Roma, foi-lhe dedicado o Mausoléu de Adriano, porque no século VI, enquanto Gregório Magno fazia uma procissão para esconjurar a peste, apareceu em cima do sepulcro do imperador romano Adriano o arcanjo Miguel com a espada levantada e a peste cessou, então o povo passou a chamar o referido Mausoléu de Castelo de Sant'Angelo (Santo Anjo).

Depois, São Miguel auxiliou a alguns santos em sua missão. Citamos como exemplo Santa Joana d'Arc e São Geraldo Magela. Invoquemo-lo nas tentações e dificuldades, para que nos dê coragem de vencê-las e, nos sofrimentos, para que nos conforte.

São Gabriel
Sabe-se pouco sobre este arcanjo, mas sabe-se que Gabriel é anunciador por excelência das revelações divinas. É o anjo das belas e alegres notícias, como o nascimento de João Batista, o precursor, e depois o nascimento de Jesus. Também ele explica ao profeta Daniel como se dará a plena restauração, da volta do exílio ao advento do Messias.
Ele tem um grande prestígio até mesmo entre os maometanos.

São Rafael
São Rafael é citado apenas em um livro da Bíblia. É o acompanhante do jovem Tobias, daí lhe vem a função de guia de todos os que viajam. Ele ainda sugeriu a Tobias o remédio para a cura da cegueira do pai, por isso é invocado como curador e protetor dos farmacêuticos. Também orientou a libertação do demônio que agia no matrimônio de Sara, por isso é invocado como protetor dos casais.

Fonte: Shalom Maná, Maria Auristela Barbosa Alves