segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Livro: Adeus, China

Esse livro é fabuloso! Li Cunxin apresenta sua autobiografia de uma maneira intensa e delicada.
Toma o leitor pela mão e o conduz desde a infância profundamente pobre, quando uma família de sete irmãos compartilha privações e amizade, até a fama como bailarino.
Li, o sexto irmão, aos onze anos de idade é levado por oficiais do “chefe Mao” para a escola de balé de Madame Mao. A família fica honrada com a “escolha”, mas sofre com a separação. A narrativa dessa primeira parte do livro é comovente; em meio à pobreza da família, que muitas vezes tem para comer apenas inhame seco, sobressai a generosidade, a partilha. Cada um pensa no bem-estar do outro, deseja que o outro coma mais, retira do próprio prato o pouco alimento porque julga que o outro necessita mais.
É dessa experiência que sai Cunxin para a escola de dança. O garoto não sabia o que era balé, imaginava que meninos também usassem sapatilha de ponta. Nos primeiros anos não consegue gostar da dança, almeja apenas voltar para a família. Porém, o encontro com um professor que se torna amigo e mentor o faz descobrir as delícias da arte e seu talento vem à tona. Torna-se um bailarino exigente e disciplinado, verdadeiramente apaixonado pelo balé.
Na busca do aperfeiçoamento, consegue uma bolsa para estudar nos Estados Unidos e isso muda sua vida. Começa a ver a ideologia comunista sob outro prisma. Entende a situação da China, seu país, de uma outra forma que não aquela apresentada no “Livro Vermelho” de Mao.
Torna-se um desertor e, consequentemente, é proibido de retornar à China. A saudade e o medo de jamais rever a família o atormentam cotidianamente. Porém, amigos fazem chegar à Casa Branca o conhecimento de seu drama e ele recebe a permissão não de voltar à China, mas de que seus pais o visitem nos EUA.
Assim, vai desenhando seu passado com cores vibrantes e uma delicadeza profunda. Revela sua gratidão à família, aos amigos, aos professores, a todos que cruzaram seu caminho. Mesmo relembrando o primeiro casamento assume a culpa pelo fracasso e deixa a ex-esposa numa situação confortável.
Enfim, é um livro bem escrito em todos os sentidos. Vale muito à pena ler.

Li Cunxin. Adeus, China — O Último Bailarino de Mao. Editora Fundamento.

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