segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Festum omnium sanctorum

No dia primeiro de novembro a Igreja Católica celebra a “festa de todos os santos”. Diversas denominações cristãs também a festejam, embora em outras datas. Mas o que significa esse dia grandioso para quem tem a fé cristã? Significa que todos os batizados são chamados à santidade, que não consiste – como muitos pensam equivocadamente – em fazer coisas extraordinárias e milagres, mas em ser coerente com o que reza a fé. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, no final seremos salvos pelo seguimento da consciência, obviamente orientada pela e para a Bondade, a Beleza e a Verdade.
Algumas palavras são, podemos dizer, chaves no caminho da santidade. A primeira, obviamente, é o amor. Ele está no topo da lista dos preceitos cristãos. No decálogo é o primeiro que aparece: “Amarás o Senhor teu Deus, com todo teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6,5).
E posteriormente Jesus o ratifica e amplia, quando alguém lhe pergunta qual é o maior mandamento e Ele responde: “Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças. E o segundo mandamento é este: ama o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,30-31).
Vale falar que o amor não é apenas sentimento, tantas vezes é possível amar mesmo não sentindo afeto. Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, ensinava seus filhos espirituais a seguir constantemente a regra de ouro: “Fazei aos outros o que gostaríeis que eles vos fizessem." (Mt 7,12). Essa é, sem dúvida, a melhor forma de exercitar o amor.
Uma palavra que merece destaque também é a coerência. Essa palavra se coloca como um imenso desafio. Como o grande Paulo escreveu, tantas vezes “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rm 7,15). Mas devemos estar sempre com os olhos no alvo, na busca de nos assemelharmos a Ele, e, embora constantemente caiamos, incessantemente necessitamos recomeçar. É isso o que conta.
Outra palavra importantíssima é a alegria. Sobretudo os que não têm ou jamais tiveram uma “militância igrejeira” tendem a imaginar que os santos sejam pessoas reservadas, tristes, melancólicas. Porém, quando lemos a história dos que foram reconhecidos oficialmente como santos – ou seja, foram canonizados – encontramos pessoas inteiramente iguais a nós, com as dores e gozos, e é muito comum terem um senso de humor refinado. Portanto, ser alegre é emblemático, afinal, Deus é a felicidade indelével, a única que nada pode roubar.
Para finalizar, deixo uma frase que Chiara Lubich difundia entre nós: “Sarò sant@ se sono sant@ subito” (Serei sant@ se for sant@ agora). Portanto, é nas pequenas coisas do cotidiano que vamos nos santificando, não deixando para amar amanhã, mas hoje; não daqui a pouco, mas agora.

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