terça-feira, 5 de outubro de 2010

Comer, rezar, amar

Assisti ao filme Comer, rezar, amar (Eat, pray, love) e gostaria de compartilhar minhas despretensiosas impressões.

Baseado no livro autobiográfico homônimo, no qual a escritora Elizabeth Gilbert conta um momento específico de sua vida.
A personagem principal da história é uma mulher que não sabe “rimanere da sola”. Está sempre acompanhada, como ela mesma fala, “namorando ou terminando os namoros”, mas na verdade não sabe amar. Perde-se nos companheiros, praticamente transformando-se neles e isso, evidentemente, não a deixa feliz – e a eles menos.
Casada há oito anos, dá-se conta de que ela e o marido não compartilham os mesmos sonhos. Ela quer viajar e ele voltar a estudar. Em crise, sem coragem de revelar o que sente, deseja falar com Deus, mas não também não sabe como.
Decide, então, separar-se, e viajar durante um ano. Seu primeiro destino é Roma – lembrei-me da maravilhosa Adélia Prado, que diz: “Não quero faca nem queijo, quero é fome!” –. Deseja aprender o idioma e deslumbrar-se, encher a alma de beleza. À medida que come, reencontra o apetite pela vida. Mas, ainda não se conhecendo o suficiente, não sabe qual é a palavra que a define.
Satisfeita, vai à Índia, em busca do numinoso – lembrei-me de Teresa d’Ávila, que diz: “Alma, buscar-te-ás em mim e a mim, buscar-me-ás em ti” –. Liz não sabia buscar a Deus em si, então foi à Índia, aprender a meditar e encontrar-se consigo, deparar com seus fantasmas e aprender a perdoar-se. Vai conhecendo pessoas e se dando conta de que seus dramas são pequenos diante de tantos outros, mas nem por isso indignos de atenção. Não obteve muito sucesso, mas me parece que ela estava mais em busca de si do que de Deus.
Vai, por fim, a Bali, em busca de equilíbrio. Encontra o amor, mas o rejeita, até dar-se conta de que “o equilíbrio, muitas vezes, consiste exatamente em se deixar desequilibrar” e, finalmente, descobrir sua palavra: “attraversiamo”.
Assim, tendo comido em Roma, rezado na Índia e amado em Bali, na verdade o que ela mais lucrou foi uma nova forma de ver o mundo. Conheceu novos amigos, estabeleceu laços fortes e aprendeu a generosidade.

Um comentário:

  1. Stelinha!!
    Impossível não lembrar você quando li o livro e vi o filme!!!!
    Que história ótima!!!!! Igualmente impossível é não identificar-se com a Liz em vários momentos da vida!!!
    Belo post!

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